August 16th, 2005

rosas

back from oblivion

Cheguei agora de férias (e como nem tudo são rosas, amanhã, quer dizer, daqui a pouco, vou trabalhar).
Trouxe das férias um carrego de cd’s. Dois do Ali Farka Toure, para quem os meus ouvidos foram abertos pelas boas companhias. Aquelas a quem ouvi falar nele, e sobretudo aquela que me pôs o AFT a tocar nos ouvidos. É assim como uma droga de beleza, de repente parece que não somos capazes de estar sem ser a ouvir essa música que parece saída de um estado de perfeição absoluta, um estado onde a natureza, o espírito e a alma se encontram, como pedras à beira do rio onde nos sentamos à espera da nossa água.

Trouxe das férias também o livro que li nelas, e que acabei, no derradeiro dia de tranquilidade, às primeiras horas do dia, ainda frescas e leves como a límpida luz. ‘Fanny: A Fiction’ o título. Um livro que começou por me surpreender muito, por se afastar da temática habitual do seu autor, o Edmund White (tenho de fazer uma entrada-inventário sobre ele um dia destes), que depois se atrapalhou nas pernas da minha leitura, mas que finalmente me seduziu de forma arrebatada, ao ponto de eu aproveitar todos os momentos para ler, ao menos uma linha ou duas. Um livro que deveria ser obrigatório para quem se fascina pelos EUA, e também para quem sempre diz mal do que não sabe. EW é muito cruel para com o seu país, trata-o mal, mas de caminho traça com admirável incisão aquilo que esse país extraordinário tem de extraordinariamente bom e de extraordinariamente mau.
Talvez volte ao livro, mas hoje fica uma frase sublinhada, que eu vesti com aquele narcisismo néscio de quem acha que todas as páginas de todos os livros são um espelho. Assim:
«We are always deferring the reality of life until a future moment and, by and by, we have deferred it till there are no future moments»

Trouxe ainda de férias a ideia de um nome para um blog. Apetecia-me, por isso, fechar este infeliz e abrir outro. Mas talvez me fique por lhe mudar o nome, naquela lógica de que é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma.

O que não fica rigorosamente na mesma é a amizade, aquilo que nos liga aos outros. Por isso, trouxe sobretudo das férias a companhia dos amigos. Trouxe o sentimento crescente de que há duas miúdas, iguais e diferentes entre si como os dois olhos de uma mulher bonita, que fazem cada vez mais parte de mim.