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(no subject)
rosas
innersmile
Um silêncio vazio está demasiado perto da loucura.
Temos de ritmá-lo continuamente. E logo
esvaziá-lo dos especialíssimos silêncios do remorso
esvaziá-lo sem cessar de outros silêncios
dar-lhe sempre e sempre o veludo das carícias.

Passeio-me na solidão como a um cão de luxo.
Povoo-a de regularidades e higiene.
Alço a metafísica como uma pesada para trazeira.
E com a possível e muito estudada simplicidade
jorro-me contente nos bocados mais amargos.

Agora cão, mão e dono e cão, passeio. Passo
por entre goivos dominicais em plástico.
Sou o olho vagaroso a deter viúvas, o sapato
a moer érres de saibro no ondular morno da alameda
o cheiro tudo nada pungente da cera.
E cão, mão, dono, olho, sapato, odor, sigo
curva tensa da trela
satisfatoriamente menos, qualquer coisa mais.
..................................................


- João Pedro Grabato Dias

O poema continua por aí fora, isto é só um fragmento de um fragmento («Abri, suponho, a porta errada» é logo o verso seguinte), parte da 'parte de um poema', como lhe chama o autor. Mas é assim, mesmo fragmentado, mesmo sílabas e versos a descaírem da página do livro, que de súbito o poema ilumina o sentido.



Vou passar uns dias de férias 'au clair de l'amitié'. Quanto ao innersmile, fica lá fora, a uivar à lua. Ou a ganir, sei lá.