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who let the dogs out
rosas
innersmile
Não tenho falado de política aqui no innersmile porque, com toda a franqueza, a política só me entusiasma ao ponto de escrever sobre ela quando tem a forma de combate político, quando há uma causa a defender ou ao menos um objectivo a atacar. Fora disso, é só o marasmo politiqueiro e interessista (inventei a palavra, mas acho-a tão adequada), que não me motiva. Mas parece-me que qualquer coisa está a mudar, já a semana passada ‘amandei’ aqui umas bocas ao nosso primeiro-ministro José Estal..., ups, Sócrates.
E hoje volto a falar de política para dizer que se o Soares se candidatar muito provavelmente irei votar nele. Mas acho uma pobreza terrível do partido socialista e do Estal..., ups, do Sócrates, não conseguirem encontrar um candidato decente e motivador, e terem de ir resgatar o Mário lá à aposentadoria dourada onde reside. Mas para mim o pior é que esta decisão parece residir unicamente no medo, só o medo de Cavaco, de perder as eleições para Cavaco, pôde justificar esta ideia peregrina. E é inconcebível que uns tipos que há apenas cinco meses limparam uma maioria absoluta, estejam tão pouco confiantes, tão desorientados e, na realidade, tão borradinhos de medo. Incompreensível e inaceitável.
Já nas autárquicas, estão a fazer todos os erros possíveis e imaginários, e estão a preparar uma bela de uma derrota. Pelo menos aqui no meu distrito, que é o que conheço melhor e que melhor acompanho. Na minha opinião, isto acontece, esta falta de sentido e de visão, porque a vida partidária, hoje em dia, está dominada pelo aparelho, por aqueles tipos que nunca fizeram outra coisa na vida que manobrar as coisas dentro dos partidos, abanando que sim com a cabeça a qualquer chefe que lhes ponham à frente, e conspirando nas sombras com os capangas do chefe que se segue. São os tipos que andam a colar cartazes e, uma vez ganhas as eleições, querem as benesses contrapartidas, tudo à custa do Estado. É por isso que me lixa ouvir os lideres partidários na oposição a vociferarem contra o Estado, porque as coisas estão feitas de forma a que eles, uma vez chegados ao poder, possam utilizar o Estado para compensar toda a clique de sabujos que os alcandoraram ao poleiro.
É este tipo de pessoas sem preparação, sem educação, sem cultura e sem valores, que hoje manda nos partidos. E, com efeito, no país. E esta solução da escolha do Soares como candidato às presidenciais é típica de quem não tem visão nem objectivos, mas unicamente estratégias. Ficamos a saber que o único objectivo do partido socialista para as presidenciais, é apenas um objectivo estratégico: não deixar que Cavaco seja presidente porque isso poderia constituir uma ameaça para os planos de poder do PS nos próximos anos. Mais, ficamos a saber que o partido socialista admite a possibilidade de deixar que a situação política do país se degrade de tal modo (como aconteceu com o consulado de Santana), que um presidente ‘oposicionista’ poderia cair na tentação de correr com o governo do PS. Apesar de este ter maioria absoluta. Quer dizer, o PS na verdade está com medo, mas está com medo de si próprio, da sua incapacidade de governar.

curtas
rosas
innersmile
Fui ver, ontem, no TAGV, a extensão do festival de curtas-metragens de Vila do Conde, e que trouxe 4 dos filmes premiados naquele festival.
The Russel Tribunal, Suécia 2004, de Staffan Lamm, recupera imagens do tribunal e direitos humanos que ainda durante o conflito, questionou a intervenção americana no Vietnam. Apesar de demasiado marcado por uma candura política que hoje soa um pouco ingénua, o filme é interessante, para além do valor documental, por um inegável paralelismo com o que se passa com a intervenção americana no Iraque.
Un Camion en Réparation, França 2004, de Arnaud Simon, é, além do filme mais longo, o que mais se aproxima dos dispositivos narrativos clássicos do cinema, e conta a história de um jovem de 20 anos que, apesar de estar de férias e ser Verão, se sente um pouco aborrecido e decide seduzir um homem mais velho.
A Rapariga da Mão Morta, Portugal 2005, de Alberto Seixas Santos, tem o chamariz do nome do mítico realizador de Brandos Costumes, que é co-autor do argumento, com Maria Velho da Costa. No breve tempo de uma curta, o realizador tenta estabelecer os alicerces de uma ficção narrativa, desenhando o perfil de uma personagem que pedia mais espaço para respirar.
Instructions for a Light and Sound Machine, Áustria 2005, de Peter Tscherkassky, foi, para mim, o filme mais interessante da noite, apesar dos enormes perigos que sempre se apresentam ao chamado cinema experimental, sobretudo, como quando é o caso, esse experimentalismo se produz não ao nível narrativo, mas ao da própria manipulação dos materiais fílmicos, sejam eles a luz, o som, e o próprio filme. E o mais interessante do filme foi a escolha que o realizador fez em sujeitar às suas manipulações experimentais um western (julgo que era um dos westerns de Sergio Leone, talvez O Bom, o Mau e o Feio ou Por Um Punhado de Dólares), o que torna logo o visionamento do filme numa experiência divertida de reconhecimento, não tanto do filme original, mas dos seus dispositivos narrativos.
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chove
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innersmile
Está a choviscar. Há pouco, abeirei-me da janela e vi, pela primeira vez desde há muito tempo, a minha rua molhada, a brilhar dos reflexos das luzes dos candeeiros e dos automóveis nas poças de água, nos ribeiros breves que descem ao longo dos passeios. E o cheiro a chuva, o cheiro a molhado, a terra molhada.
Eu gosto de calor e de sol, e gosto do sol seco, castigador, aquele que torna os dias de um azul impossível. Aquele calor acerca do qual o Noel Coward fez a canção a dizer que apenas «Mad dogs and englishmen go out in the midday sun». Mas que felicidade ver agora a chuva a cair. Estar aqui sentado a escrever e ouvi-la ali, a cair do lado de lá da minha janela aberta.