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o nome que no peito escrito tinhas
rosas
innersmile
Entra-se e há logo um enorme coração suspenso do tecto, vermelho, um coração de filigrana denso e transparente lírico e demente, pungente e artificial. Está dado o mote para a exposição O Nome Que No Peito Escrito Tinhas, comissariada por Alexandre Melo, que no Pavilhão do Centro de Portugal (raio de nome!) integra as comemorações do ano inesiano, assinalando os 650 anos da morte de Inês de Castro. Para além de Coração Independente (Vermelho), de Joana Vasconcelos, há também obras expostas de Ana Vidigal, Catarina Campino, José de Guimarães, Pedro Proença e Rui Sanches, tanto quanto me lembro.
As minhas preferidas foram o díptico de Pedro Proença (desenho a tinta da china e texto, de grandes dimensões) e a colcha de Ana Vidigal, feita com sobrescritos, fotografias e cartas, correspondência trocada entre um Capitão miliciano colocado na Guiné durante a guerra colonial e a sua família em Lisboa. Uma daquelas obras poderosas, com um elevadíssimo valor referencial, que nos suspende a respiração quando nos vamos apercebendo do teor da matéria de que é feita.
Não é importante conseguir ler nas obras expostas referências ou reflexões à história de Pedro e Inês, ou sequer dos seus personagens, mas já é de muito interesse tentar retirar delas o valor e o peso que o mito inesiano é capaz de ter na época actual, nomeadamente através do olhar das artes plásticas. Ou seja, o que é que há no mito de Inês de Castro que nos possa impressionar, e que possamos utilizar como forma de expressão de verdades poéticas e culturais, e até políticas e identitárias. É que se por um lado é fácil reclamarmo-nos do mito naquilo que ele tem de mais, digamos, melodramático, já me parece bastante mais complexo tentar perceber que verdade essencial é que nele podemos ler e que nos diga alguma coisa sobre o Portugal (artístico, cultural até psicológico) contemporâneo. Até nisso esta exposição é interessante, e voltando à peça fulgurante de Joana Vasconcelos, que nos devolve o mito de Inês de Castro não só enquanto ate plástica, mas mesmo enquanto matéria plástica. Que objecto é esse, que fascínio é esse, que palpita com a intensidade de um coração em sangue, mas que, visto em close up, não tem mais a sustentá-lo do que o mais efémero símbolo do nosso consumismo imediatista.

(no subject)
rosas
innersmile
Já escrevi sobre o filme (mais do que uma vez, até), mas sentia que me faltava dizer ainda alguma coisa sobre In My Country, o filme que John Boorman fez tendo por pano de fundo (na verdade, tendo por tema principal) as comissões de verdade e reconciliação a que o regime democrático sul-africano recorreu para sarar as feridas profundas e dramáticas do apartheid.
Na sua habitual crónica de ontem, na Pública, José Eduardo Agualusa diz muito disso que faltava dizer. Sobre o filme, sobre o valor dessas comissões. E sobretudo sobre África, sobre a complexidade dos seus problemas, e sobre a capacidade de os resolver.

O texto integral da crónicaCollapse )
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