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(no subject)
rosas
innersmile
para a Isabella


Tenho de deixar na praia o nome
com que te escrevo.
Procuro um inventário de rostos,
como se não existissem,
e vou largando, folha
a folha,
os ossos brancos de um livro.

Há momentos em que
a areia branca, as
ondas que chegam,
a promessa fértil das águas e
de toda a terra que elas procuram,
fazem um sentido que desconheço.
Lembro-me das histórias, sim,
mas a minha memória não tem
uma latitude.

Dou-te um nome,
o primeiro,
escolho-te porque me pareces
as asas esquecidas de um passarinho.
Volto-me devagar,
passo pela tua história, percorro com
os dedos trementes
o sal desses dias onde para sempre
o sol se pôs.

Abraço-te, restinga.
Olho-te uma última vez
(sem sentido; como
se não houvesse voz
como se não houvesse mesmo
olhar)
e corro na direcção oposta à das
tuas gargalhadas.

Nesses dias, em que parece
que tenho vontade de chorar,
só me consola a tua ausência.
Que dá nome ao vazio.
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6fu
rosas
innersmile
Passou ontem o último da 4ª série de episódios de Six Feet Under; tanto quanto sei, actualmente nos EUA passa aquela que será a quinta e última temporada. Como sempre que é realizada pelo Alan Ball em pessoa, o episódio de ontem foi particularmente lúgubre e perturbador. Bom, dizer que uma série que se passa numa casa funerária é lúgubre, pode parecer um pleonasmo, mas é mais do que isso: quando o AB nos quer deixar deprimidos e ‘au bord de l’abîme’ (como na canção da Jane Birkin), ele realmente consegue-o!
Como a Ruth continua a ser a minha personagem preferida da série, fiquei muito preocupado com aquela evolução rápida da paranóia do George. Também não gostei nada do encontro do Keith com o Roger (apesar de ter ficado muito bem impressionado com o pool boy do Russel); aliás, acho que o Keith e o David têm a palavra desastre escrita nas respectivas testas, mas a verdade é que isso acontece praticamente desde o início da série. Mas já gostei da conversa do David com o pai. Aliás, sempre que o Nathaniel Fisher Sr. aparece, a coisa fica sempre um pouco apaziguada.
Alem do mais, foi um episódio particularmente macabro, a começar no princípio, com o ‘morto de serviço’ a ser cortado ao meio num acidente de elevador (uma das razões porque eu me passo com esta série tem a ver com a cena em que os rapazes da Fisher & Diaz conversam animadamente junto às duas metades do cadáver...), e a acabar no fim, com o suicídio totalmente inesperado do cunhado do Nate.
Enfim, resta-nos esperar pela próxima série de episódios de Six Feet Under. Tenho de confessar que estou um pouco triste por saber que já só há mais uma série. Mas julgo que dificilmente haverá tema mais adequado para dizer aquele lugar comum de que tudo chega ao fim...