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a trilateral contra-ataca
rosas
innersmile
O Alberto João Jardim tornou a dizer asneiras, agora a propósitos dos chineses e dos indianos que vivem cá. Naturalmente não o incomodam os imigrantes que trabalham nas obras, mas apenas aqueles que se preparam para meter a mão no jarro dos cêntimos.
O AJJ não é burro; pode ser imbecil e cretino, mas não é burro. Se ele falasse 'a sério' da actual situação internacional e da forma como a China está a fazer uma ofensiva (de ataque) comercial à escala planetária, ninguém ligava ao que ele dizia, nem lhe aumentava o quociente de populismo (diferente de popularidade). Por isso é que ele diz as coisas desta maneira mal-educada e demagógica, porque sabe que se falar na ameaça dos chineses e dos indianos, e mais na trilateral e nos fdp dos jornalistas do continente e nos políticos do continente que são todos incompetentes, as pessoas acham graça, riem-se, e ganham-lhe medo.
O discurso dele não é politicamente incorrecto. Ser politicamente incorrecto é ser subversivo, é não ter de aceitar o status quo só porque a massa assim o prefere, é, fundamentalmente, ser livre. Mas livre num sentido responsabilizante do termo. Não é, seguramente, ser livre para dizer com impunidade tudo o que lhe apetece, e num tom que é sempre ofensivo (de ofensa) para alguém ou para um grupo de pessoas. Além disso, o AJJ define-se sempre pela negativa, está sempre a culpar alguém, está sempre a insultar alguém, está sempre a arranjar inimigos, que, coitados, nem sequer sabiam que eram inimigos dele, claro.
O AJJ é tão porquito que durante discurso contra os chineses quando lhe vêm dizer que estão chineses a ouvi-lo, torna-se rufia e arrogante: é assim mesmo, é para eles ouvirem. Ou seja, trocando em miúdos: quantos são quantos são? Para além de mal-educado e deselegante, é isto a verdadeira xenofobia, jogar com um discurso sub-reptício que contém um apelo subliminar à violência, tipo vamos meter-lhes medo a eles para eles não perceberem que estamos cheios de medo deles. Sim, porque no fundo é isso que se passa: o AJJ estão com medo dos chineses, está com medo dos efeitos que a invasão chinesa pode provocar na frágil e muito subsidiada economia madeirense.

Quanto à invasão chinesa, bem pode o AJJ perorar e bacorar à vontade, que não vai conseguir nada. Eles andem aí e vão andar cada vez mais. O futuro é da China, o dragão está a acordar e o futuro é dele. Quer dizer, o futuro que nós conseguimos ver daqui, naturalmente, o futuro que vem já a seguir (é que é já a seguir). Claro que podemos ter em relação a isso todos os considerandos morais e políticos e ideológicos que quisermos, nomeadamente os que têm a ver com o facto de a mão de obra na China ser barata por a noção de direitos humanos que lá prevalece ser um bocadinho mais vaga do que a nossa! Mas, pelo menos desde o Clinton, todos sabemos que ‘it’s the economy, stupid’, e é essa a parte divertida da ofensiva chinesa, vir ganhar ao ocidente no jogo que o ocidente inventou, ou seja o capitalismo.

(no subject)
rosas
innersmile
«we shall fight on the seas and oceans, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our Island, whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender»

- Winston Churchill, 9 de Junho de 1940