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the ballad of jack and rose + in my country
rosas
innersmile
Ontem fui-me encontrar com uma amiga minha que vive no estrangeiro e que está cá a passar férias. Vemo-nos duas ou três vezes por ano, e comemoramos os encontros com filmes. Ontem fomos ao Arrábida, mas a oferta era tão fraquita que só conseguimos ver dois.

The Ballad of Jack and Rose é um filme bem intencionado, mas que deixa muito a desejar. Sobretudo porque quer tanto ter uma determinada estética, um determinado estilo narrativo, que na maior parte do tempo soa a falso e a caricatura. Alem de que não percebi muito bem qual o sentido do filme, a intenção com que foi feito. Ora um filme assim, sem uma ideia forte que o transporte, só pode sobreviver se nos fizer apaixonar pelas personagens, o que também não foi o caso. Tanto quanto sei, a realizadora, Rebecca Miller, é filha do dramaturgo Arthur Miller (também famoso por ter sido marido da Marylin Monroe), e é casada com o Daniel Day-Lewis, que entra no filme. Aliás, a interpretação do DD-L é como sempre impecável, no ponto certo de intensidade e credibilidade, mas dá um pouco a sensação de que já o vimos a fazer este tipo de papel. O filme tem uma boa banda sonora, a fotografia é bonita, e tem o rosto lindíssimo de Camila Belle.

O outro filme visto foi In My Country, uma produção anglo-irlandesa, realizado pelo veterano John Boorman. De um ponto de vista puramente cinematográfico, achei o filme pontos abaixo de outras obras de Boorman, como Excalibur e o mítico Deliverance, ou mesmo do mais recente The Tailor of Panamá. Mas como quase todos os seus filmes, este tem um fortíssimo fundo político e social, que de certa forma o resgata: as comissões de verdade e reconciliação que, no ano de 1995, foram feitas na África do Sul, para dar uma oportunidade às vítimas do apartheid de contarem as suas histórias de tortura e violência e de confrontarem os seus carrascos, e, por outro lado, conceder amnistias aos perpetradores dessas torturas e, dessa forma, evitar a sua ida a julgamento, que, no entender das autoridades governamentais, teria consequências graves no escalar da violência racial no país. Deste modo, o filme vive sobretudo do dramatismo destes relatos e da tensão que se estabelece durante as sessões das comissões. Mas vive também, ainda que de uma forma menos conseguida, das ondas de choque que o fim do apartheid provocou entre os diferentes grupos populacionais, e sobretudo no seio da comunidade africânder. Claro que o filme tem uma love story que se vai desenvolvendo ao longo do filme e que, para além de obedecer aos cânones narrativos do mercado, serve de contraponto de descompressão. No entanto, e talvez até por causa do confronto com a enorme intensidade dramática dos acontecimentos políticos relatados, o enredo amoroso entre dois jornalistas, uma africânder (seria um pleonasmo dizer uma africânder branca!) envolvida no processo de reconciliação e um negro americano crítico em relação à bonomia deste processo que evitou os culpados de serem julgados, esse enredo amoroso parece sempre muito débil do ponto de vista narrativo.
A acrescentar ao interesse do filme, as imagens deslumbrantes daquele que é seguramente um dos países mais bonitos do planeta, e uma banda sonora que nos traz algumas das sonoridades mais interessantes da riquíssima música da África do Sul.
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