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sonhos
rosas
innersmile
Não gosto nada de me lembrar dos sonhos, acho que é sempre mau sinal, ou mau sintoma. Os sonhos são uma coisa lá do subconsciente, que ele deve ser capaz de resolver sozinho, sem ter de trazer os assuntos cá mais para a superfície.
A verdade é que nos últimos quinze dias acordo sempre a lembrar-me dos sonhos, e com uma sensação duplamente desagradável: por me lembrar deles, e por causa do seu conteúdo. É que todos estes sonhos de que me lembro têm um tema recorrente: o trabalho e o momento complicado que eu atravesso em termos profissionais. E, como disse, os sonhos estão sempre naquela fronteira do pesadelo, quer dizer não são pesadelos violentos, mas são sempre situações desagradáveis, incómodas, das quais eu me quero livrar sem o conseguir. Alguns deles, ou algumas das situações, são tão legíveis, tão transparentes, que tornam a profissão de interpretar os sonhos uma brincadeira de crianças, o que diz bem de como a minha preocupação anda à flor da pele, e de como me ando a sentir mal, sempre num estado de perturbação, assim como quando suspendemos a respiração quando achamos que vai acontecer qualquer coisa no segundo seguinte, com a diferença de que esse estado tem sido constante; e, como se prova, quer quando estou acordado quer até quando estou a dormir.
Uma destas noites andava a passear por uma praça muito aberta, assim tipo um terreiro de uma antiga casa senhorial, ou aqueles largos que ficavam no centro das vilas e cidades e onde se fazia a feira, bom, era um espaço muito grande, e eu andava por ali sozinho com uma sensação de que estava a fugir de qualquer coisa, e de súbito vejo um antigo colega, já aposentado, que se aproxima acompanhado por uma rapariga ainda nova, e eu penso «olha o C. tem uma namorada nova» e tento escapar-me sem ele me ver, mas claro que nessa altura já estávamos frente a frente e ele cumprimentou-me e começámos a conversar. Às tantas ao grupo já se tinha juntado outra antiga colega de trabalho, e naturalmente começaram todos a discutir o momento que se vive na instituição onde trabalho e qual o meu papel naquilo tudo.
Ontem à noite quando me deitei decidi que não ia sonhar com nada relacionado com a minha profissão, até por ser sexta e hoje não ir trabalhar. Hoje acordei às sete e pensei que não tinha sonhado. Pois bem, tornei adormecer, e sonhei que me foram chamar ao gabinete porque alguém tinha batido no meu carro no parque de estacionamento. Saí e tinha a parte traseira do carro (que era branco e de outra marca que não era a do meu carro real) toda metida para dentro. Ainda vi o carro a sair do portão (o sonho decorria num local que eu frequento profissionalmente, apesar de não ser o sítio onde trabalho) e desatei a correr atrás dele. Entretanto, já estava dentro de um outro carro, não faço ideia qual ou de quem, no lugar do passageiro, a perseguir o chaço a cair de podre que tinha batido no meu, mas que, apesar de estar assim a cair aos bocados, desapareceu no tráfego sem eu o conseguir alcançar. Apeei-me, comecei a andar a pé, e já estava outra vez no parque de estacionamento junto ao meu carro destruído, a concluir que o tipo nem tinha tido necessidade de bater no meu, que tinha sido por uma daquelas decisões totalmente ilógicas. Acordei, era nove e cinquenta, quando o sonho tinha chegado a um impasse, às voltas tipo rosca moída, por eu não saber o que fazer em seguida.
Claro como água, não é?