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fisher & diaz
rosas
innersmile
No episódio de ontem de Six Feet Under (ah que saudades das entradas de terça-feira sobre o episódio da véspera), o Keith faz uma entrevista e começa a trabalhar para uma empresa de segurança, que faz segurança a famosos (três M.J.’s na lista de clientes). Antológicas as cenas em que ele se sente desajustado em relação à postura e à linguagem dos seus novos colegas. A uma certa altura, ele e mais dois estão sentados a uma mesa de café e os dois colegas comentam as raparigas que vão passando. É mais forte do que ele, e Keith lá acaba por também fazer um comentário de teor sexual a uma rapariga.

É incrível como estes tipos que escrevem a série, com o Andy Bell à cabeça, conseguem apanhar estes pontos fracos das pessoas, estes ‘faux pas’. Neste caso, é uma situação muito típica, quando um homossexual frequenta ambientes (por exemplo, laborais) muito marcados por uma heterossexualidade a resvalar para o machismo. É muito difícil um tipo resistir à pressão dos pares, e o mais provável é deixar-se ir. Desde logo, por um instinto de sobrevivência: um gajo ser segurança e ser gay?! Não, é muito mais fácil, e já para não dizer que é muito mais seguro, esconder a verdadeira orientação sexual, disfarçar. Mas, mais do que isso, é quase irresistível fazer a parte: sabemos que se não tivermos um comportamento digamos ‘tribal’, isso pode levantar suspeitas (muito provavelmente nem levantaria, mas os homossexuais são demasiado ‘self-conscious’ para deixarem isso ao acaso) , além de que a vontade de ser aceite, de ser um entre iguais, é muito forte. E chega sempre (sempre?) esse momento em que se manda uma boca (hetero)sexual para logo a seguir se ficar com a cara com que o Keith ficou: de que aquilo soou a falso por tudo quanto é lado, de que se acabou de cometer uma pequena traição a nós próprios. E de que se foi tão mais papista que o papa, que ninguém à nossa volta se deixou enganar.
Mas algo me diz, porque nesta série nada é deixado ao acaso, que se tratou de mais do que uma simples boca isolada. E ou me engano muito, ou o Keith vai ter uma recaída.

Entretanto, o que eu mais gostei no episódio de ontem foi do confronto latente entre George, o marido de Ruth, e Arthur, o estagiário. É que se os irmãos Fisher parecem ter alguma bonomia em relação ao padrasto, já o estagiário parece estar verdadeiramente incomodado com o intruso e as suas excentricidades. Vulgares, note-se, ao pé das excentricidades subterrâneas e ocultas dos habitantes do Fisher & Diaz Funeral Home.