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a love song for bobby long
rosas
innersmile
Só sabia duas coisas acerca do filme antes do ir ver: que tinha um título muito evocativo, A Love Song for Bobby Long (sul, country, vidas desfeitas, amor), e que era com o John Travolta e a Scarlett Johansson. Não é que seja um filme extraordinário, mas é um daqueles filmes que acerta numa parte mais frágil de nós mesmos, e é um filme que vai crescendo dentro de nós à medida que o vamos visionando.
Há uma história, claro, e nisso é que o filme é mais débil, resvala muito em clichés, e, no relato que faz de uma certa pobreza urbana, chega até a ser um pouco ofensivo de tão caricatural. Mas perdoamos-lhe isso, por causa daquelas três personagens, por causa do coro de personagens secundárias que rodeiam as principais, até por causa das personagens que nem sequer entram no filme. E depois há os livros, e a obsessão por essa vida paralela que nasce dos livros. E há três actores magníficos. Travolta demora a arrancar, até certa altura do filme parece que não vestiu muito bem a personagem, que não lhe dá respiração, mas depois torna-se um vendaval. Scarlett fascina como sempre. E depois há ainda uma surpresa, Gabriel Match, cuja personagem por vezes parece ser o verdadeiro código do filme, a sombra húmida que perpassa pelo seu olhar, a angústia, ou a nostalgia, de saber que há um lugar mas não se saber qual. E há a música, as guitarras.

Se deus existisse, eu era o John Travolta. Sabia dançar e citava Dylan Thomas. Podia usar o cabelo pintado de loiro sem parecer ridículo. Tinha peso, sem ser pesado. Sabia pisar. Sabia vestir roupões de senhora como se tivessem sido feitos para eu os usar. Se deus existisse, eu era o John Travolta. Sabia dizer as coisas com aquele ar de quem tudo o que diz é importante, mas sem lhe dar solenidade nenhuma. Sabia andar ao lado do Samuel L. Jackson sem ficar intimidado por ele. Sabia trocar de rosto com o Nicholas Cage. E sabia amar em silêncio a Uma Thurman.
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(no subject)
rosas
innersmile
Se aquela famosa actriz de Hollywood decidisse criar um livejournal, provavelmente chamar-se-ia sandra_bullog
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