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kiko + filipe melo trio
rosas
innersmile
Infelizmente, apenas consegui ir a um dos concertos, o último, das três noites do festival InJazz, que levou a 7 ou 8 cidades portuguesas (entre elas Montemor-o-Velho) algum do melhor jazz nacional. Grande desgosto por ter perdido o Bernardo Sassetti a tocar numa igreja, em Montemor.
Esta noite, num espaço notável em Pereira do Campo, o Celeiro dos Duques de Aveiro, mesmo ao lado de uma igreja barroca com um pórtico impressionante, bilhete duplo. Na primeira parte Kiko, em quinteto, apresentando temas do seu álbum Raw. Tenho o cd e gosto bastante, e estava com muita curiosidade em vê-lo ao vivo. Gostei muito: um acompanhamento muito sólido, óptima escolha de temas, e sobretudo a voz e a forma de cantar de Kiko, muito seguro, com muito swing, muito dentro do jazz.
Na segunda parte, o Trio de Filipe Melo, com Bernardo Moreira no contrabaixo e Bruno Santos na guitarra. Eu tinha visto do trio em Setembro, na Figueira da Foz, e achei que houve uma evolução muito grande entre estes dois concertos. Quer dizer, na Figueira já tinha sido muito bom, então agora o Trio está a funcionar na perfeição, muito rodado, com uma interligação espantosa. Por vezes, temos s impressão de que não são três músicos em palco, mas uma única entidade, muito orgânica, que se desdobra em três instrumentos. O Filipe Melo é um verdadeiro músico de jazz, naquele sentido em que incorpora e tributa a história do piano no jazz. Além disso, junta muita frescura e uma elegância a tocar que é rara. Em Setembro, tive a impressão de estar a assistir a uma enorme promessa do jazz pianístico nacional, e o concerto desta noite mostra que a promessa começou a ser cumprida.
O Trio Filipe Melo tem cd gravado e que será editado em breve pela clean feed/Trem Azul.

Foi uma noite especialíssima: pela música, pela proximidade dos músicos, pela beleza da sala, pela magia de estarmos ali, em plenos campos do Mondego, na histórica Vila de Pereira, para ouvir música libertadora. Por ver, à derradeira luz do dia, quando o céu é já uma sombra de um azul profundo, o que resta da brancura das nuvens reflectido nos arrozais inundados.
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