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innersmile
Como o Opiário publicou hoje um artigo sobre a Bienal Internacional do Livro, o innersmile não quer ficar atrás e esta é a entrada sobre a Fogueira do Livro de Coimbra.
Feira do Livro que está de regresso à Praça da República. O ano passado deu-me jeito ser na Solum, dava para ir a pé depois do jantar, mas suponho que com a hordas de pessoal que acorrem à zona por causa do novo centro comercial, até foi melhor assim. Se bem que a verdadeira razão foi porque os comerciantes da especialidade acharam que o ano passado foi mau negócio e quiseram voltar para um lugar mais central. Não lhes passa pela cabeça que entre uma tenda cheia de bancas com livros em pilhas, e uma feira do livro, há, apesar de tudo, algumas diferenças. Já lá passei duas vezes e não me apercebi que haja um programa de animação, se bem que, para os organizadores da Feira, animação costuma ser uma de três coisas às vezes todas ao mesmo tempo: oficinas para as crianças brincarem a destruir livros; senhores mascarados a passearem pelo recinto da feira supostamente a declamarem coisas mas na verdade a assustar as crianças que destruíram os livros; e escritores sentados em cadeiras de plástico a darem autógrafos. Tenho a vaga ideia de haver uma ou outra editora sediada em Coimbra que aproveitaram para lançar uns livros (não consta que tenham acertado em alguém), mas não há colóquios, encontros, palestras. Aliás, acho que as editoras já nem se incomodam em trazer escritores à Fogueira do Livro de Coimbra.
É engraçado porque eu reajo um bocado mal à quantidade: quando alguma coisa me é oferecida em grande quantidade tenho dificuldade sequer em ver, em conseguir divisar o que me interessa. Assim tipo só consigo ver a floresta e não as árvores que a constituem. É assim também na Feira do Livro, com a agravante de que está tudo desarrumado. Eu entro lá dentro e não me consigo fixar num título, numa capa, no nome de um autor. Só vejo as pilhas todas desarrumadas.
Mesmo assim consegui comprar 3 livros. Mas tive de pedir dinheiro emprestado porque nem todas as bancas têm multibanco e, apesar de ser ao princípio da tarde e estar às moscas, a única caixa atm no local estava fora de serviço!
Um dos livros nem sequer estava exposto. É outro dos hábitos dos feirantes, porem a mercadoria numas estantes lá atrás, em zona ‘no go’ para o público, em vez de a terem à vista do cliente. Tentei pedir o livro pelo título e nome do autor, mas revelou-se uma tarefa complicada. Tudo se resolveu quando eu disse que era o número tal de determinada colecção.
Mas não se pense que tudo é mau na Feira do Livro de Coimbra. Apesar de não haver escritores giros em Portugal (digamos que o gajo mais sexy a escrever em Portugal é mesmo a Agustina Bessa-Luís), os expositores estavam cheios de putos engraçados, não obstante a grande maioria ser composta por metrossexuais, que são assim como a fruta dos hipermercados: bonita mas sensaborona. Outra coisa à partida boa da feira é haver muita gayzada a passear, muito contacto visual, muito ‘check me out’, muita cabeça a virar-se. Mas se Paços de Ferreira é genericamente a capital do móvel, Coimbra é, em termos de especialidade, a capital do armário, de modo que fica-se tudo pelos olhares, ou então vai tudo para o bar do Gil Vicente prolongar a sessão. É por isso que em Coimbra há tantos e tão bons oftalmologistas.