April 17th, 2005

rosas

cinema em casa

"Delusion Angel"

Daydream delusion.
Limousine Eyelash
Oh, baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet cakes and milkshakes
I am a delusion angel
I am a fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Lodged in life
Like branches in the river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me
Don't you know me by now


- David Jewell

Este é o poema que o poeta de rua faz para Jesse e Celine, na longa noite que eles partilham em Viena, depois de se conhecerem casualmente num comboio.
Vi ontem, finalmente, Before Sunrise, do Richard Linklater, em dvd. Interessante ter visto primeiro a sequela, Before Sunset. Já conhecia os personagens, e já os conhecia tal como eles são hoje, dez anos depois, ou seja, como eu os represento hoje. Talvez porque neste segundo filme eles são, apesar de tudo, mais próximos de mim, no tempo e na idade. Talvez por isso, a impressão de que este primeiro filme era assim uma espécie de flashback do seu primeiro encontro, como se eles me dessem a oportunidade, uma vez que eu tinha perdido o seu encontro inaugural, de assistir a esse encontro.
E é curioso ver esse encontro em Viena da perspectiva do encontro de Paris. O filme é menos conciso do que o Before Sunset, dispersa-se mais, estende-se. O Before Sunset é como uma ampola, está tudo muito concentrado. Deixou de haver resquícios de acção, como ainda há neste Before Sunrise.
Before Sunrise é um filme mais doce, mais fresco, mais jovem. Os rostos dos actores são esplendorosos de juventude e promessas. Eles são o que ainda está por acontecer, o que ainda está por vir. Em Before Sunset os rostos já começaram a ganhar as marcas do tempo, como aquelas pistolas dos filmes de cowboys em que os pistoleiros iam marcando na coronha os traços correspondentes aos mortos que tinham provocado.

Além do Before Sunrise, aluguei também o dvd do Salteadores da Arca Perdida. O mais interessante é ver como o filme envelheceu, e como é que é ver um dos filmes que inauguraram o moderno cinema de aventuras. Pois bem, eu acho que o filme mantém intactas as suas qualidades, o seu pioneirismo e o entusiasmo que é vê-lo. E mais, ganhou uma certa ‘patine’, que vem muito de ser um filme feito na época pré-efeitos especiais computadorizados. Haverá quem ache toscos alguns dos efeitos do filme, demasiado artesanais e transparentes, mas eu acho que isso dá encanto ao filme, dá-lhe aquele toque de imperfeição que têm de ter os objectos (e as pessoas, a regra vale sempre) para nos fazerem apaixonar por eles.