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dias no egipto i
rosas
innersmile
Apontamentos dispersos, tirados de um caderno (e não!, não era um ‘moleskine’, era mesmo um caderno de apontamentos escolar, com linhas e argolas, daqueles que estão à venda nos hipermercados de material de escritório).

26 de Março

«Do autocarro, a chaga da pobreza, do terceiro mundo. Estas viagens servem-nos, a nós, para além das descobertas e dos deslumbramentos, para nos confrontarmos com a ideia de que o mundo é incomparavelmente mais vasto do que a visão que temos da nossa amuralhada Europa, uma fortaleza de abundância e bem-estar, que, à vista dos modos de vida que se vislumbram das janelas do ar condicionado do autocarro, é mesmo obscena e pornográfica».

«O maior inconveniente destas viagens organizadas, é que é tudo muito asséptico, muito limpo. Faz falta o cheiro da rua, das pessoas, do ar, das comidas, de tudo.
Acho as pessoas muito doces, muito simpáticas. E há pessoas muito bonitas, quer homens quer mulheres, uma beleza quente, sensual, quase uma beleza pura, apesar de as pessoas terem uma certa rudeza, não tanto no trato mas no próprio tipo físico.
Gostei muito do passeio de hoje à tarde, de passar pelo campo, pela zona fértil do vale do Nilo. Gostei de ver os animais, as vacas, as cabras, os búfalos, para além dos poucos cães e, tal como os gatos, de aspecto famélico. Há aves muito diferentes, com cantares a que não estamos habituados. Gostei da rudeza rural, apesar da mistura entre natureza e porcaria, própria das sociedades onde há muita riqueza natural e uma pobreza elevadíssima.
As coisas parecem-me relativamente desorganizadas, com aquela preguiça um pouco caótica que é muito africana. Há coisas curiosas: em todos os sítios, nos monumentos, nos hotéis, nos restaurantes, há detectores de metal nas portas de entrada. Julgo que foi por causa dos ataques terroristas aqui há uns anos. Pois bem, a gente passa, a máquina apita, e ninguém liga, ninguém revista pessoas ou pertences. A gente segue e toca a andar.»
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