March 21st, 2005

rosas

cristina branco

Gostei muito do concerto, esta noite, no TAGV, da Cristina Branco. Acompanhada por Custódio Castelo, na guitarra, Fernando Maia, na viola baixo, Ricardo Dias, no piano, e Alexandre Silva, na viola. O concerto insere-se na promoção do recente cd da CB, Ulisses, mas explora ainda mais esse conceito de viagem musical ao mesmo tempo que aprofunda as raízes da cantora que, como se sabe, provém do fado.
Aliás podemos começar por aqui. Não enjeitando tocar nos fados classicamente ligados a Amália (5 deles, pelo menos, e todos da primeira água), a Cristina Branco desprende-se das amarras amalianas e consegue arrancar interpretações puras, límpidas, e sem fantasmas.
De resto, e como decerto é natural, pareceu-me que a Cristina Branco tem uma identidade muito mais segura quando canta o fado, do que quando se aventura nas outras áreas do reportório. Mas, como digo, parece-me perfeitamente natural: Cristina vem do fado, é o seu território, e esta viagem de Ulisses está ainda a dar os primeiros passos. Mesmo assim, preferi as versões ao vivo de dois clássicos às versões que estão no disco: Case of You, da Joni Mitchell, e Redondo Vocábulo, de José Afonso.

Chamo ainda a atenção para o nome do Ricardo Dias. Aqui há uns meses, fui a um bar de Coimbra onde há fados e onde a música está sempre à distância de um improviso. Às tantas, entra um grupo no bar, do qual fazia parte este rapaz, em razoável estado de embriaguez, que se atirou ao piano e iluminou a noite com um fraseado de tons muito 'jarretianos', daqueloas coisas que têm a particularidade de nos prender ao primeiro acorde e de nos levarem por aí, a passear e a sonhar. Esta noite, o Ricardo Dias demonstrou mais uma vez, nomeadamente no tema da Joni Mitchell, que é um pianista invulgar e que merece ser muito ouvido.