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polícias e ladrões
rosas
innersmile
Alguém comentou comigo hoje, já nem me lembro a que propósito, que a nossa polícia devia ser melhor. Eu, que até gosto dos polícias sem gostar da polícia, respondi que até achava que tínhamos uma boa polícia, que os nossos polícias são de um modo geral pessoas bem preparadas, nada que se compare com o que era há 15 ou 20 anos. Responderam-me então que o problema era que a nossa polícia estava mal preparada, e que era inadmissível que a polícia não pudesse entrar em determinados bairros, como a Cova da Moura. Bem! Respondi logo ao ataque, que, para mim, muito mais grave do que a polícia não conseguir entrar num bairro de pretos, é a polícia não conseguir entrar nos bairros dos ricos. Aí, onde mora o pessoal do crime de colarinho branco, da corrupção, o pessoal que não paga impostos, que usa influências para sacar dinheiro ao Estado, que faz negociatas em vez de negócios, a frota dos carros de luxo, das férias em resorts exclusivos. Aí é que é pena, e grave, a polícia não conseguir entrar.
A Cova da Moura é uma ferida, uma ferida em chaga, mas uma ferida. Claro, se não for tratada, pode gangrenar e ter de se amputar o membro. Mas por enquanto é uma ferida. A corrupção é uma doença, uma patologia muito grave, que anda a minar de morte a nossa sociedade. Neste momento, é mais ou menos impune, as pessoas gabam-se de que não pagam impostos, de que conseguiram fazer um negócio ruinoso para o Estado. E se a ferida pode obrigar a amputar o membro doente, esta doença é terminal se não for tratada a tempo.

filme indiano
rosas
innersmile
Há uma rábula, creio que dos Gatos Fedorentos, que se chama ‘A Minha Vida Dava Um Filme Indiano’. Bom, a verdade é que há mesmo vidas que davam um filme indiano. Vi de raspão a reportagem na SICNotícias e vim logo à net à procura de mais informação: esta é daquelas histórias extraordinárias que me fascinam, em que a realidade ultrapassa a mais indominável imaginação, mesmo a de um filme indiano.
A personagem da história chama-se Monica Bedi, uma indiana filha de um médico emigrado na Noruega, e que entre os anos de 1995 e 2001 foi uma starlete em ascensão no mundo fantástico de Bollywood. A partir de certa altura Monica começou a namorar com Abu Salem, um patrão do submundo do crime. As más línguas dizem que foi a associação a Salem que lhe trouxe, depois de um início pelos vistos não muito brilhante, o seu primeiro papel de protagonista no cinema.
Monica foi presa, juntamente com Salem, em 2002, por uso de passaporte de falso. Em Lisboa. Sob Salem impende um mandato de captura por suspeita de participação num atentado terrorista em Mumbai, em 1993, que fez cerca de 300 vítimas.
Durante dois anos, Monica cumpriu pena em Portugal pelo crime de falsificação de passaporte. Por causa do mesmo crime, a Índia pediu a Portugal a extradição de Monica, que, durante esse tempo, lutou contra a satisfação do pedido, com receio das represálias que teme sofrer na Índia, em sequência do crime de que Salem é suspeito. Em Fevereiro, o Supremo Tribunal de Justiça português negou o recurso, e Monica Bedi deverá, em breve, ser extraditada. Também a extradição de Abu Salem já foi autorizada pelo STJ.