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the gift
rosas
innersmile
Concerto dos The Gift, ontem, no Gil Vicente, um dos primeiros do tour AM-FM. Um espectáculo muito bem montado e produzido, com uma preocupação cénica, mas que nunca faz desviar as atenções daquilo que é essencial, a música.
Conheço muito mal o trabalho do grupo, e tenho de confessar que em termos de sensibilidade, de gosto, que é sempre uma coisa muito pessoal, não fiquei grande fã. À excepção de quatro ou cinco temas, achei a maior parte das canções um pouco monocórdicas, com uma inegável imaginação ao nível dos arranjos a colmatar uma criatividade não muito inspirada. Gostei muito da voz da cantora, que provou, para além de uma potência extraordinária, uma modulação muito expressiva. Também gostei do Nuno, que me pareceu a verdadeira alma do projecto, e um arranjador muito criativo.
Apesar de não serem 'my cup-a-tea', muito respeito para com o trabalho dos The Gift, que me pareceu muito sério e honesto.

Uma nota para a cada vez mais comum mania de incorporar os encores no alinhamento do espectáculo. Acho que é um recurso básico e até um pouco vigarista. Os encores devem ser sempre um extra, um brinde que quer os artistas quer o público têm de se esforçar por merecer. Ora o que acontece é que os artistas tocam uma hora e pouco, fazem de conta que se vão embora, voltam passado um bocadinho para tocar mais três temas, que fazem parte do alinhamento previsto do concerto, e repetem a cena pelo menos mais uma vez. Se querem descansar era preferível fazer um intervalo a meio, mas parece-me que a intenção é mesmo outra: limitar os concertos a uma duração razoável (entre a hora e meia e as duas horas), cumprir o alinhamento previsto, e, de caminho, contornar a apetência, sempre muito exigente, do público, que acha que tem sempre direito a encore. O risco é acontecer o que aconteceu ontem: quando voltaram para o segundo encore, o que incluiu o tema do grupo que passa actualmente aí nas listas da rádio e da tv, os músicos quase que arriscavam chegar demasiado tarde, e mesmo assim tocaram já uma plateia reduzida a quase dois terços. Sinceramente, prefiro, e acho mais honesto, fazer, e só para dar dois exemplos muito diferentes, como a Madonna ou o José Mário Branco: chegam, debitam o alinhamento previsto e xauzinho até à próxima. Os encores só têm piada quando são espontâneos, quando são um extra, ou seja qualquer coisa que não estava prevista e planeada, e sobretudo quando são merecidos, quer pelo artista quer pelo público.
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