February 14th, 2005

rosas

diário de campanha

No Sábado fui, acho que pela primeira vez em mais de vinte anos, a um comício partidário. Parafraseando o próprio senhor engenheiro, fi-lo por duas razões (atenção aos gestos). A primeira foi porque o cabeça de lista do cds, o rapaz loiro da ‘co-enceneração’, admoestou a população de Coimbra a impedir a entrada do Sócrates na cidade. Ora, era o que faltava. Assim sendo, não só não o impedimos de entrar na cidade, como lhe demos a maior recepção dos últimos anos. A segunda é porque acho que a situação actual do país é dramática, o actual primeiro-ministro além de impreparado é demasiado imaturo e inconsequente, e arrastou o país e o governo e o estado numa série de trapalhadas de quem não sabe o que quer, não sabe para onde vai, não sabe como é que se faz, mas acha que sabe como é que há-de safar sempre a própria pele; e nesse sentido, é um dever patriótico participar activamente neste acto eleitoral para ver se se retoma alguma da dignidade perdida.
Dito isto, gostei do comício, apesar do calor atmosférico e do calor humano. Apesar de não ter pachorra nenhuma para um discurso emocional de pretenso fervor patriótico, que alinha sempre pela fasquia mais baixa. Apesar de a histeria, colectiva e individual, me deixar sempre embaraçado e pouco à vontade. Gostei dos cachecóis e gostei da Matilde Sousa Franco, que fez o único discurso consequente e preparado da noite. Só não gostei muito da parte em que propôs, para estimular a indústria local, que os edifícios da cidade passassem a ser revestidos a cerâmica. Não, não me parece.
Convém não esquecer que o presidente da República demitiu o Santana Lopes porque ele, ele próprio, ele em pessoa, criou um clima de instabilidade e falta de confiança, com as suas trapalhadas semanais, algumas delas, as mais violentas, assassinamente dirigidas contra os seus próprios ministros. Convém não esquecer que praticamente todo o psd não santanista contribuiu, à chapada e ao pontapé, para o derrube do governo, como se comprova pelo facto de o único dirigente do psd que aparece na campanha ser o paranóico do Alberto João. E convém não esquecer essas coisas porque as mentiras, por serem tantas vezes repetidas, podem ganhar aparência de verdade.