February 13th, 2005

rosas

immortel - ad vitam

Não é fácil fazer um comentário de aproximação a Immortel – Ad Vitam, o filme que Enki Bilal fez adaptando personagens e histórias das suas obras de banda desenhada (‘banda desenhada’ parece ser uma denominação tão infantil para os livros de Bilal). Talvez começar por dizer que não é um filme de animação no sentido corrente do termo. Ou que foi um dos primeiros filmes a ser rodado inteiramente com recurso a um daqueles écrans verdes onde depois são desenhados os cenários, e em que convivem actores de carne e osso com personagens puramente desenhados.
Do ponto de vista narrativo, o filme junta o passado e o futuro, os deuses do antigo Egipto e as máquinas de ficção cientifica, indagando daquilo que é essencialmente humano, ou profundamente humano, ou residualmente humano, numa época (a nossa?) em que já só há deuses e máquinas, sem nada de intermédio, nomeadamente o homem.
Mas obviamente é no depurado, fantástico e belíssimo universo gráfico que se joga a essência deste filme, é na força e na credibilidade e na coerência desse universo que se assegura a eficácia deste que é, seguramente, um dos filmes mais bonitos que eu vi.