?

Log in

No account? Create an account

como um cometa
rosas
innersmile
Não sei muito bem como é que me hei-de explicar.
Já me aconteceu algumas vezes na vida, mas não muitas, não é muito frequente. Haver acontecimentos tão marcantes, momentos tão intensos, tão raros, tão excepcionais, que eu quase chego a ter saudades do tempo em que esses acontecimentos ainda eram uma promessa escondida no meu destino. Não é bem saudade, é mais como se fosse inveja. Tipo eu tenho inveja do tempo em que ‘este’ acontecimento ainda estava destinado a acontecer-me, em que ainda era uma coisa que aí vinha, e que eu desconhecia isso. Porque agora ele já se deu, e agora eu já tenho a certeza de que ele é e será irrepetível. Agora tudo o que resta é o sabor da recordação, é reviver e reviver os momentos, tentar guardá-los, procurar-lhes o sentido, incorporá-los, deixar que eles passem a fazer parte da minha vida, de mim.
Mas sempre com um pequeno rasgão de tristeza, que é a de saber que já os vivi, e que, ainda que se repliquem em outros acontecimentos semelhantes, já nada vai ter a dimensão de os estar a viver pela primeira vez. Não quero melodramatizar, não é esse o caso. A ocasião foi jubilatória. Mas é precisamente por isso que sinta essa espécie de inveja do que a minha vida ainda me guardava, do que já estava inscrito, sem eu o saber, no meu destino.
Bom, isto para dizer que no Sábado vivi um desses momentos. E todo o dia de ontem, e hoje, sinto essa espécie de vazio, de ressaca, que fica no lugar onde brilhou tão forte e intensa uma felicidade. Não sei se me fiz entender, mas é por isso que sinto como que uma inveja de todo esse tempo em que a minha vida corria, vertiginosamente embora eu não o soubesse, para esse momento feliz.