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(no subject)
rosas
innersmile
se lesses meu coração
usando linguagem braille
os dedos da tua mão
leriam o innersmile

(no subject)
rosas
innersmile
Entretanto, lá fora tudo parecia funcionar dentro da arrastada normalidade colonial.

efe
rosas
innersmile
caio efe inspira-me

Há amizades que surgem duas vezes, que se repetem. Não estou a falar de amizades interrompidas, mas sim a falar da amizade que surge duas vezes entre as mesmas duas pessoas. Eu já era amigo do Efe, uma amizade virtual mas real, feita de encontros, mas também de desencontros. Entretanto conheci o Efe pessoalmente e foi interessante, porque a pessoa do Efe não é bem um prolongamento, uma evolução, do Efe virtual, mas parece coexistir com ele. Nem é bem que sejam duas pessoas diferentes, é mais, como disse há pouco, como se houvesse duas amizades, dois fios que nos ligam. Um fio é o da amizade virtual, mais tenso, mais desafiador, mais implacável também. Outro fio é o do encontro pessoal, mais brando, mais afectuoso, até mais fraterno.

O Efe foi ao Brasil e trouxe-me uma prenda, o volume de cartas de Caio Fernando Abreu, ou, como ele assina as cartas, Caio F. Ainda mal comecei a folhear o livro, vou lendo, dispersamente, uma ou outra carta, ao sabor do acaso e das coincidências. Mas é incrível como Caio Escritor está todo ali, como quase conseguimos ler este volume de correspondência como se se tratasse de mais um conto ou de uma novela. Um pouco como acontecia com as crónicas de Pequenas Epifanias. Com Caio, é sempre difícil separar o que é a matéria vida (como na canção de Caetano; aliás, uma das coisas comoventes deste livro é reparar como Caio cita tão abundante e fluentemente Caetano, como também o fazem outras duas pessoas que eu cá sei) do que é a matéria literária. Os seus contos parecem sempre tropeçar na realidade, os seus personagens parecem sempre ser pessoas de carne e osso que por vezes se diluem, de forma vaga e difusa, nas linhas do texto. Tal como estas cartas parecem sempre animadas por um fulgor que é maior do que a vida, como se a escrita, o desejo da literatura, fosse o lugar onde a vida tem redenção.
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