January 4th, 2005

rosas

olga

Normalmente vejo todas as noites o hotmail para conferir o correio e os eventuais comentários aqui do innersmile que me tenham passado despercebidos. Já tenho tido algumas surpresas muito boas, mas ontem tinha uma que me deixou completamente nas nuvens. Assim:

«Bem, não posso deixar de me identificar, não seria correcto. Sou Olga Roriz, a autora de "Confidencial" e muito sinceramente gostaria de conhecer a pessoa que assim escreveu sobre esta minha peça.
Não tenho mais a dizer neste momento, apenas lamento só ter lido este comentário há tão pouco tempo. Acredite que me teria feito muito bem se o tivesse lido após a estreia da peça.
Nós criadores estamos sempre tão solitários e ávidos de alguma cumplicidade, inteligente claro.
Para já deixo aqui o site da Companhia Olga Roriz: www.olgaroriz.com
Até breve e obrigado, Olga»


Este comentário foi deixado numa entrada no dia 31 de Outubro, num texto que eu coloquei a comentar o bailado ‘Confidencial’. Tive muita sorte, primeiro porque gostei muito da peça, e depois porque acho que o texto me saiu feliz, está, modéstia à parte, muito certeiro e apanha muito do essencial do que eu acho do trabalho da Olga Roriz. E fiquei muito contente pelo facto de o texto ter sido lido pela OR e, a avaliar pelo comentário, ela ter gostado do texto e ter achado que o texto desafia e confronta, de forma cúmplice, a solidão do criador. Não quero exagerar e ler mais do que ela escreveu, mas a ideia com que fiquei é que a OR se viu, ao seu trabalho claro, reflectida no que eu escrevi, e isso é sempre compensador. De certa forma, o comentário da OR também desafia a ‘solidão’ do meu texto, também o ‘trouxe a casa’, porque me deu a compensação de acreditar que ele foi ao encontro da criadora da obra acerca do qual ele reflectiu.

A questão agora é: o que é que eu faço? Fico sempre um pouco perturbado quando estas coisas acontecem, porque nunca sei muito bem o que é que hei-de fazer.
Já tenho tido conversas acerca disso. Uma vez a propósito do Caetano Veloso. Se eu gostava de o conhecer, de falar com ele. A questão é que, apesar de eu gostar muito das suas canções, de as conhecer na intimidade, de elas fazerem parte da minha maneira de me conceber e de conceber o mundo, não consigo pensar em nada que gostasse de lhe dizer ou de lhe perguntar, a não ser que ele é mais importante na minha vida do que eu sou capaz de expressar, e isto acho que nunca conseguiria dizer! Claro, para além do facto de ficar demasiado inibido para conseguir dizer qualquer coisa, fosse o que fosse.
Mas neste caso da OR: sou suposto fazer alguma coisa? Escrever para um e-mail que vem no website (e que eu, de resto, já conhecia)? Aguardar por um novo contacto? Que stress...

Entretanto, no segundo comentário que deixou na entrada do dia 31 de Outubro, a Olga Roriz chama a atenção para a transmissão, amanhã dia 5, às 22,30 horas, na rtp2 do bailado ‘Pedro e Inês’. Absolutamente a não perder. Lembro-me de que havia pessoal, nomeadamente o Nuno, que queria ver muito este espectáculo lindíssimo e poderoso (na altura em que o vi escrevi um texto sobre ele, que está neste link).