December 29th, 2004

rosas

2004: espectáculos, exposições

Para além dos concertos, ainda vi este ano quatro espectáculos de bailado: três coreografias (uma delas pelo Benvindo Fonseca) pela Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, a peça ‘Les Porteuses des Mauvaises Nouvelles’, uma coreografia de Wim Vandekeybus remontada pela Ultima Vez e pela Companhia Instável, ‘Confidencial’, da Olga Roriz pela sua própria Companhia de Dança, e a Companhia da Aditis Mangaldas, com uma dança contemporânea inspirada em linguagem de dança tradicional indiana.

No que toca ao teatro, só vi quatro espectáculos, todos em Coimbra. Três óptimas produções pela Escola da Noite: Além do Infinito, uma colecção de textos de Abel Neves (que a Escola já tinha encenado anteriormente numa produção mais vasta) levada à cena em salas e nos claustros do Colégio de Jesus, numa entusiasmante e muito divertida mistura de humor e imaginação. O Cerejal, de Tcheckhov, que vi duas vezes, e que me fez apaixonar pelo texto. E 2 Perdidos Numa Noite Suja, uma peça do brasileiro Plínio Marcos, e que alia um texto simples e directo a um dispositivo cénico muito desafiante e sugestivo.
Para além destas, vi ainda Rappaport, pela Companhia Bonifrates, que teve o mérito de nos trazer um texto típico de um certo teatro nova-iorquino que, mais por preconceito do que por outra coisa, temos poucas oportunidades de ver representado.
Num ano em que não fui às termas a Londres, o único musical que vi foi a produção da digressão internacional do Cats, no Coliseu.

Poucas exposições, mas boas. Começo por ‘Iluminando Vidas’, uma exposição colectiva que explora os novos caminhos da fotografia, ou melhor do fotojornalismo que se pratica em Moçambique, na senda, e sob os ensinamentos, de Ricardo Rangel, o decano do fotojornalismo moçambicano. Foi no Porto, na Culturgest.
Logo no princípio do ano, Memórias de Santa Cruz, repositório de arte sacra proveniente do mosteiro, e que me revelou uma das mais fantásticas obras que eu já vi na minha vida, um ‘relicário braço de Santo Agostinho’ que, só de o contemplar proporciona uma experiência mística.
Duas óptimas revelações no Centro de Artes Visuais, que acrescentam sempre ao prazer de visitar um dos mais bonitos espaços de Coimbra: fotografias de Malick Sidibé e de Jemima Stehli. Ainda no CAV, no pátio exterior a escultura de Pedro Cabrita Reis, Longer Journeys, e a colectiva Em Jogo/On Side, montada a propósito do futebol e do Euro 2004.
Finalmente, a grande mostra da pintura de Paula Rego, em Serralves, que salvou o ano da pintura.