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last christmas
rosas
innersmile
Cada Natal que passa, parece ser mais triste do que o anterior. Mais precário, mais frágil, mais solitário. Como se cada Natal anunciasse o que aí vem. Como se cada Natal fosse o Fantasma do Natal Futuro, do conto de Dickens. Este Natal foi particularmente triste, com a doença e o desânimo a rondar a porta. “Este foi o último Natal”, disse. Não acredito, mas cada vez mais essa é uma possibilidade.
Mas à medida que o Natal se vai despindo (ou será ‘despedindo’?), também parece que arde com mais brilho e intensidade o que é fundamental no Natal. Se o Natal é cada vez mais triste, de onde vem então a alegria com que perpassa? Não vem da fé, não vem das prendas, não vem dos doces. Virá, talvez da infância. Virá daquele brilho do Natal das crianças, não tanto das prendas que se recebem, mas da sensação de que o Natal é um lugar de promessas, um lugar onde tudo se pode cumprir, onde tudo pode acontecer. Abre-se, durante esses dois dias, a janela dos milagres. E mesmo que eles nunca cheguem a acontecer, e mesmo que o Natal seja de ano para ano mais triste, estamos contentes porque este é um tempo de estarmos contentes. É certo que bate a nostalgia de nada ser já como já foi. Mas brilha sempre a luz de um advento. A esperança, irracional e infundada, de que ainda possa um dia vir a ser.
Depois, passa o calendário. Volta-se ao quotidiano. Feridas e promessas, tristezas e alegrias, lágrimas e sorrisos, esfumam-se na voragem dos minutos

passemos, tu e eu, devagarinho
rosas
innersmile
Para o meu querido Saint, com um abraço de parabéns, e um beijo carinhoso, um soneto do Reinaldo Ferreira.


Passemos, tu e eu, devagarinho,
Sem ruído, sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
A pisemos sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações, num torvelinho
De folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber o precioso vinho,
A rara embriaguez deste momento.

E se a tarde vier, deixá-la vir
E se a noite quiser, pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas

De costas para o Sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas.