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cliché
rosas
innersmile
Há umas semanas atrás, alguém deixou o seguinte comentário aqui no innersmile: «muito elitista, culto, uma certa tendência kitsh, sensível às artes e à poesia, opiniões políticas conservadoras, enfim... soas-me a cliché, e penso que não preciso dizer de quê».
O próprio tom do resto comentário evidencia que ele é o resultado de um processo gradual de desagrado e desilusão, mas não deixou de me parecer um pouco desproporcionado o facto do comentário ter sido posto numa entrada em que eu dizia mal de um filme!
Mas o que me deixou absolutamente fascinado com o comentário (bem, confesso que depois de me passar aquela irritaçãozinha que sempre sentimos quando alguém diz mal de nós ou nos ataca) é o facto de, com toda a franqueza, nunca me ter pensado antes como um cliché! Suponho que aquilo a que @ autor/a do comentário se referia com aquele ‘não preciso de dizer de quê’ seria um cliché de um gay, ou melhor, de um determinado tipo de homossexual, meia-idade, educado, de classe social média-elevada.
Como digo, nunca me tinha pensado antes como um cliché. Temos todos aquela ilusão de sermos tão únicos e especiais como a nossa impressão digital, o que é, claramente, uma presunção falsa. No limite, claro que somos todos reduzidos a meia dúzia de padrões (mais coisa menos coisa), ou seja, de clichés.
De todas as características enunciadas para definir o meu cliché, todas elas são muito certeiras, e é interessante constatar como o innersmile pode ser um cliché de mim próprio. Ou seja, eu sou mais, mais largo, mais extravasado, do que apareço aqui no innersmile, mas não deixa de estar certo todas aquelas características do cliché resultarem do innersmile, e corresponderem a características minhas.
Só me chocou um pouco a questão do elitismo, não tinha nada a noção de ser elitista, mas fazendo aquilo que na religião se chama de exame de contrição, até sou capaz de conceder que sim, sou um pouco ‘muito elitista’. Adorei o referência à tendência kitsh, que eu acho que tento esconder, mas pelos vistos não escondo tão bem quanto isso. Parabéns à/ao autor/a do comentário, grande perspicácia. Outra observação muito interessante é a que diz respeito às opiniões políticas conservadoras! Eu, que tenho a mania de que sou um tipo de esquerda, e que dentro de mim existe uma alma libertária, tenho de admitir que muitas vezes sou extremamente conservador, tenho uma grande resistência à mudança, nomeadamente à transformação. Sou, por feitio, mais reformista do que revolucionário, apesar de também ser um pouco romântico, e comover-me sempre com os cortes radicais e absolutos, sobretudo se forem feitos à custa de muito esforço e sacrifício pessoais. Mas atenção, apesar de admitir este conservadorismo muito endógeno, reafirmo que continuo a deplorar o governo e sobretudo o Santana e o Portas e a achar que o presidente fez muito bem em por fim ao nosso sofrimento. Ok, é só para ninguém ficar com ideias de que virei o bico ao prego.
Confesso que a princípio foi um choque esta coisa de me ver como um cliché. Mas agora que a ideia tem estado a assentar, tenho de reconhecer que é realmente verdade que caibo quase inteirinho no retrato do cliché que me fizeram. Fosse eu um pouco mais abichanado, e tivesse uma disponibilidade financeira de que estou cada vez mais longe, o retrato então ficaria completo. Quanto ao primeiro aspecto, posso fazer um pequeno esforço. Já quanto ao segundo, conto humildemente com a ajuda de todos.