December 7th, 2004

rosas

jamie cullum

No último fim de semana, a perspectiva de fazer umas centenas de quilómetros de carro sozinho, levou-me até à loja de discos mais próxima. Já tinha reparado no nome do Jamie Cullum por aí, mas pensei que fosse um teen pop idol qualquer, desses que a indústria discográfica britânica é pródiga em criar num dia para deitar fora no dia seguinte. Fiquei espantado quando vi um disco do JC no escaparate dedicado ao jazz, e, claro, fui logo espreitar o alinhamento. Os standards: Singing in the Rain, Old Devil Moon, Blame It on my Youth, I Get a Kick Out of You. O novos clássicos: High and Dry, dos Radiohead (aparentemente vem do primeiro disco de JC). As surpresas: Wind Cries Mary, de Hendrix, e Lover, You Should Have Come Over, do Jeff Buckley. Mais umas canções do próprio JC, duas do seu irmão Bem, e aquela que me fez saltar logo de antecipação: I Could Have Dance All Night, o clássico de Loewe e Lerner para o musical My Fair Lady, que é uma das minhas canções preferidas (ou não me tivesse eu já declarado com esta canção). Ouvi um bocadinho, nomeadamente este último tema, e trouxe o disco.
O disco parece-me bastante razoável, nesta onda que está agora na moda de cross-over entre o jazz e a pop Já lhe chamaram Diana Krall de saias e os mais puristas dizem que é jazz para quem não gosta de jazz! Além disso JC tem um contrato milionário para uma grande editora, o que o obriga a ser assim uma espécie de jazz-star (o equivalente às popstars), a disputar com agressividade o mercado da pop. Mas há uma inegável jazz quality na música de Cullum, mesmo que nalguns temas a colagem à pop seja quase completa. Enquanto cantor, Cullum mostra que tem a lição bem sabida, e não se esquece de pagar os seus tributos aos grandes crooners da música popular, nomeadamente ao deus Sinatra. Mas Cullum é também pianista (os arranjos dos temas têm uma base de trio, com Geoff Gascoyne no baixo, e Sebastiaan de Krom na bateria; para além de cordas e presença ocasional de guitarra e percussões), e isso dá à sua prestação uma desenvoltura e um swing muito puxados.
Apesar de não ser o jazz puro e duro, também não acho que Jamie Cullum deva ser posto de lado, só porque pisca o olho aos terrenos mais comerciais da pop. Este disco é muito agradável (cumpriu na perfeição a missão de road companion), e nalguns momentos chega a ser empolgante.