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bernardo sassetti + will holshouser trio
rosas
innersmile
O gajo tem ar de beto e é daqueles tipos que a falag não diz os égues, como o Mogais Sagmento. Mas senta-se ao piano, dobra-se para a frente, e transfigura-se, e o concerto foi das coisas mais lindas a que eu já assisti, lindo assim de um lirismo imenso e pungente, lindo como quando vamos de carro numa noite de Verão pela auto-estrada e temos a sensação de que a viagem se prolonga até ao infinito, até as luzes do automóvel se confundirem com as estrelas no céu, e nós já não sabemos se ainda somos o que somos por fora ou se somos já o nosso melhor sonho de nós próprios. Já o disco, Indigo, era muito bonito, mas ao vivo é uma experiência transcendente. Só gostava que os temas se prolongassem um bocadinho mais, fica a sensação de que ainda havia mais estrada para nos perdermos. Não sei se foi um dos concertos do ano, mas assistir ao Bernardo Sassetti a tocar ao vivo, em piano solo, foi uma das maiores experiências musicais do ano, sem dúvida.

O concerto de Sassetti foi o segundo da segunda noite da segunda parte dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra de 2004. O primeiro concerto da noite esteve a cabo do Will Holshouser Trio, uma formação pouco habitual de acordeão (WH), trompete (Ron Horton) e contrabaixo (David Philips), que se juntariam em palco a Sassetti para acabar a noite.
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