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kimmo pohjonen
rosas
innersmile
Terá a música uma geografia própria? Há música que só pode ser de certos lugares? Foi o que me ocorreu ontem quando estava a assistir ao concerto de Kimmo Pohjonen (com Samuli Kosminen, no projecto Kluster) , no Gil Vicente. De onde vem aquela música, aquela maneira específica de os sons se organizarem? Em que sítio é que podemos encostar ouvido no chão e ouvir aquela música?
Se a música tem a sua própria geografia, que pode coincidir com o geográfico lugar físico de onde ela vem ou de onde vêm os seus autores, mas não é limitado por ele, se a música tem a sua própria geografia, então ontem no palco do GV os sons que se ouviram eram gritos sussurrados de aves misteriosas cujo voo se recorta contra vertiginosas escarpas de chumbo. Um vulcão que desadormece em tranquilos e serenos pesadelos de lava. Histórias que se lêem tatuadas nos ombros de delicados gigantes, homens sem pés que rodopiam as suas alvas calvícies numa dança que é apenas sonhada. Uma torrente: de energia, de sons, mas também de histórias, de cantilenas, de segredos que não percebemos.
Uma experiência tão radical e surpreendente, que só pode provir de uma geografia que a música tem e que apenas podemos pressentir através da sombra iluminada dos seus contornos.
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eleições livres
rosas
innersmile
Decorrem ontem e hoje as terceiras eleições presidenciais em Moçambique. Como raramente acontece em África, o Presidente actualmente em funções optou por sair, voluntariamente, do poder. Os menos ingénuos (não lhes quero chamar cínicos) podem avançar o rol de todas as razões pelas quais Chissano se afasta da presidência. Mas a verdade é que tinha sempre a opção de se perpetuar no poder, e abdicar dele é sempre uma forma de abnegação.
Julgo que a vitória de qualquer um dos dois principais candidatos traz a sua dose particular de problemas e preocupações, de receios e angústias. Mas há uma verdade insofismável: só a vitória limpa e leal, sem fraudes e vigarices, de um deles, de qualquer um deles, pode trazer ao povo a esperança do desenvolvimento.
E, claro, o orgulho de ser Moçambique a contrariar aquele preconceito neo-colonialista de que não pode haver democracia em África.