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brindar
rosas
innersmile
Brindámos ao futuro.
O jantar estava marcado há mais de oito dias, mas desde as seis e meia da tarde todos sabíamos que ia ser um jantar comemorativo. Mesmo aquele, de entre nós os cinco, que até é do psd. Mesmo aquela que, tendo sido já presidente de uma autarquia pelo ps, foi expulsa do partido porque se recusou a obedecer à disciplina partidária.
Porque o acaso tem destas coisas felizes, jantei com quatro das pessoas que, para além de serem muito minhas amigas e eu gostar muito delas, mais me daria gozo passar uma noite destas, de discussão e debate. E, claro de comemoração. Para além da garrafa de espumante tinto que abrimos a meio da refeição (quando passámos da carrilhada para os secretos, sempre fieís ao porco preto), o dono do restaurante, no fim, trouxe mais uma garrafa e veio beber conosco. Pela quarta ou quinta vez, nesta noite, brindámos ao futuro. Era, de todos, o brinde onde nos podemos encontrar todos, o nosso máximo denominador comum. Mesmo tendo em conta que dos cinco eu era o mais novo, e dois até já estarem aposentados.
Estou contente. Por razões dígamos mais gerais, ou mesmo patrióticas: foi posto um fim (dir-se-ia misericordioso) a este terrível embaraço que se chamava governo santana lopes. A esta desorientação total, alimentada de vaidades pessoais e criminosa irresponsabilidade.
Mas há também razões mais pessoais, que eu hoje, com toda a desfaçatez, reclamo. Eu sei que é muito feio (deve até ser pecado) sentirmo-nos felizes com o mal dos outros. Mas dá-me um enorme gozo pensar em todos esses verdugos medíocres e incompetentes do caciquismo local (em lugar de honra, naturalmente, aqueles que tenho suportado como um jugo ou uma canga) que estão a passar esta noite de olhos esbugalhadamente vazios, contemplando o oco que ficou no lugar do chão que subitamente ficou no lugar do chão que desapareceu sob os seus pés.
Como é que vai ser a seguir? Sei lá. Mas neste intervalinho, podemos acreditar um pouco mais, e brindar ao futuro.