November 25th, 2004

rosas

(no subject)

Repara nas casas. Vê como elas se fazem, lenta mas subitamente, ruína. Repara como as janelas ocas são olhos vazados que espreitam de um passado que foi teu, apesar de nunca o teres conhecido. Repara como se destelham as casas, como se o outono dos anos chegasse de uma semana para a outra. Alinham-se à beira da estrada, as casas. Oferecem-se ao teu passo absorto. Chamam-te como uma canção de embalar de que não guardas memória. Repara como as casas se vão vagarosamente cobrindo de esquecimento e abandono, na exactamente inversa proporção da tinta que se descasca das paredes. Repara nas casas. Onde as deixaste? Que trazes tu no vazio que ficou no seu lugar?