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land of plenty
rosas
innersmile
Gosto muito do cinema do Wim Wenders. É um amor antigo, que vem do tempo de O Amigo Americano, e de quando vi um ciclo de cinema alemão, com os filmes projectados em máquina de 16mm numa sala do edifício Chiado, e onde vi A Angústia do Guarda-Redes no Momento de Penalti. Desde aí tenho procurado ver todos os filmes dele, apesar de haver uns quantos que me escaparam, nomeadamente, e isto é imperdoável, O Estado das Coisas. Ora, uma das razões porque eu gosto tanto dos filmes do Wenders, é que muitos deles são filmes falhados, filmes que ficam sempre aquém da ideia que os animou, que ficam sempre a um passo da perfeição, são sempre a imagem reflectido num espelho quebrado daquilo que poderiam ter sido.
De alguma forma ainda é isso que acontece com Land of Plenty, o último filme do realizador alemão a passar por cá, e que eu fui ontem ver a Aveiro. E que achei admirável, um filme de uma beleza muito triste, em que o peso do desânimo e da falta de sentido convive com uma inocência (quase uma ingenuidade) que acredita esparançadamente no homem e no seu futuro.
O filme é a história do reencontro entre uma sobrinha (fabulosa Michelle Williams) inocente e grávida de esperança, e um tio veterano do Vietname, paranóico q.b. e que anda numa busca solitária e permanente de possíveis terroristas. O filme passa-se numa LA longe dos habituais cenários hollywoodianos, feita de gente que vive nas ruas e dos missionários que os pretendem ajudar, no rescaldo dorido e magoado do 11 de Setembro.
Claro que o filme pede para ser lido como uma parábola da América pós 11 de Setembro, dividida entre a paranóia da segurança, sustentada pelo discurso que levou Bush à reeleição, e um fundo de credulidade e bondade, de fé no futuro, que nos lembra que não estão completamente mortos os ideais e os princípios que transformaram a pioneira América na mais emblemática sociedade do mundo actual.
O que comove no filme é o olhar terno e condoído que Wenders lança à grande nação americana, sem lhe esconder os traumas e as fragilidades, naquele que é um dos mais admiráveis e certeiros retratos do estado actual dos Estados Unidos, sobretudo porque nunca deixa de ser uma ainda que amarga declaração de amor. Ainda mais notável, porque vinda de um realizador europeu, nestes tempos em que a Europa, ou a maior parte dela, parece estar zangada com o grande país do outro lado da lagoa.
O próprio título do filme, mais do que uma ironia, dado que o filme se passa no meio dos que nada têm, é uma alegoria, na minha opinião, àquilo que constitui a história e o cerne da nação americana, e de que o seu estado actual anda tão arredio.
Um dos aspectos mais curiosos do filme, é que ele parece convocar cenas ou imagens, ou simples reminiscências, de muitos dos anteriores filmes americanos de Wenders. Por isso, para este cinéfilo sempre mais emotivo que racional, os momentos mais excitantes do filme foram aqueles em que do terraço do edifício onde funcionava a Missão, se via, no topo de um prédio próximo, o letreiro gigantesco do The New Million Dollar Hotel. Lindo!
Outra nota para a banda sonora que, como também normalmente acontece no cinema de Wenders, é excelente.
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o chefe recomenda(-se)
rosas
innersmile
O restaurante-pizaria La Mamma Roma, que fica no Cais do Alboi, em Aveiro, é um dos meus restaurantes preferidos, e não só em Aveiro. A especialidade é, como se vê, a cozinha italiana, mas a especialidade da casa, ou pelo menos a que tem mais saída, é o naco na pedra. Ontem comi uns raviolis gratinados que estavam deliciosos, com recheio de espinafres e carne, num molho de tomate e cobertura de queijo. À entrada, umas fatias finas de presunto, pão e broa, azeitonas e um paté para barrar. A caipirinha e a sangria não podiam estar melhores, e a sobremesa foi a que eu sempre escolho quando lá vou, os profiteroles, recheados com gelado, regados com chocolate, e tudo coberto com açúcar em pó.
O ambiente é descontraído, o serviço é discreto e competente, a mesa é simples mas com bom-gosto, e ontem tinha a novidade da música ao vivo (tenho de confessar que não sou grande adepto da música ao vivo nos restaurantes: distrai da comida, impede a conversa e, sobretudo, desrespeita a própria música, que é para ser ouvida, e não mastigada). Convém reservar, mas eu costumo ir cedo e dá para arranjar mesa. Ah, e the last but not the least, o patrão e chefe de cozinha é um francês com ar de marinheiro ou de jogador de futebol, tão lindo que merece ele próprio uma visita ao restaurante.