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(no subject)
rosas
innersmile
olhas a lua e vês? quase que mata
ataca-te a saudade, se for prata
andaste aí à nora, patarata,
cegueira tão tonta, da catarata

empurras a porta, faz que não bata
espreita a cortina, noite de lata
não dormem olhos, enxerga ingrata
a boca insone, da catarata

se é manhã fria, que coisa chata
olhas à volta, do dia à cata
será o coração que se desata

não haverá vilão que te destrata
se o amor em teu rosto se retrata
sacode da ramela a catarata
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amadeus
rosas
innersmile
A primeira vez que tentei ver o filme Amadeus, para aí há uns vinte anos, cheguei à porta da sala onde se exibia, em Shaftesbury Av. (num Odeon?) e estava uma tipa cá fora a tocar um sino e a gritar ‘sold out for ámà-deace’. Vi-o mais tarde, já em Coimbra e não me lembro de o ter tornado a ver até ter comprado, há dias, o dvd. Bem, e mesmo assim, comecei por ver o disco extra, com um documentário tipo ‘making of vinte anos depois’ e ainda vou a meio da versão director’s cut do filme.
Felizmente, o filme está intacto, tal como estava guardado na minha memória. O Milos Forman é um realizador muito bissexto, mas todos os seus filmes são, pelo menos, muito bons, quando não mesmo extraordinários. Falo naturalmente da sua cinematografia americana, já que dos filmes made in Checoslováquia só vi o Baile dos Bombeiros, e já não me lembro nada. Voando Sobre Um Ninho de Cucos é uma obra decisiva, que inaugurou um certo género de cinema, ou pelo menos inaugurou-o enquanto cinema popular, de entretenimento. Man On The Moon, tanto quanto sei o seu último filme, é um dos meus filmes preferidos, e entre os dois só há bom cinema: Hair e Ragtime, dois musicais, Amadeus e Valmont, dois filmes de época, e The People Vs. Harry Flint. Todos filmes que se fixzeram notar, que marcaram a época em que se estrearam.
Amadeus é um desses filmes extraordinários que Milos realizou, muito por obra da peça de teatro de Pater Shaffer que, ao invés de escrever uma biografia de Mozart, optou antes por escrever uma peça sobre a música genial de Mozart. A perspectiva do filme é, como se sabe, a de Antonio Salieri, compositor da corte, que conta, em flashback, como a chegada de WAM a Viena veio abalar a sua vida dedicada a deus e à música: ao mesmo tempo que detesta a personalidade infantil e histriónica de WAM, admira, com um fascínio feito de amargo ciúme, a sua música. ‘A anedota de Deus’, como lhe chama Salieri, que acredita que Deus escolheu a mais horrenda das criaturas para dar a conhecer a sua música. É uma inveja mortal, já que Salieri dedica toda a sua vida daí em frente a tentar prejudicar Mozart, acabando, nesta versão fantasiada da história, por provocar a sua morte.
Mas o principal triunfo do filme, é que põe a música de Mozart no centro da história, todo o filme, toda a intriga, toda a encenação, serve única e exclusivamente a música. Em vez de escolher alguns temas mais populares e fazer deles o mote da história, o filme opta antes por percorrer grande parte da obra de Mozart usando as diversas peças como se fossem andamentos da história que quer contar.
Pessoalmente, e para além do supremo gozo que é ver este filme, ele teve em mim o efeito de me trazer até Mozart. Foi através das cassetes da banda sonora do filme que eu comecei a ouvir a música do compositor, e a desmistificar uma certa ideia de que a música clássica exige um nível de educação ou erudição ou preparação para poder ser desfrutada. Como em todas as coisas boas da vida, basta seguir o prazer.
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