November 2nd, 2004

rosas

i'll see you in my dreams + exorcist - the beginning

Não sou grande fã do cinema de terror, e foi mais a curiosidade que me levou ontem ao cinema. Curiosidade, em primeiro lugar, de ver I’ll See You In My Dreams, o primeiro filme de terror português, uma curta-metragem sobre zombies. Achei o filme razoável, sobretudo se tivermos em consideração que não há grande tradição deste género cinematográfico em Portugal. Achei o filme bem dirigido, com uma boa ideia de cinema, nomeadamente com soluções consistentes de forma a dar a volta às evidentes limitações quer de financiamento quer de know how. Já achei mais fraquinho o argumento, pouco ambicioso, muito óbvio e um bocado rasteirinho, ou seja, sem grande imaginação, sem grandes voos. Não sei se era eu que estava pouco inspirado, mas achei que ao filme fazia falta um pouco de sentido de humor. Quer dizer, o filme tem, parece-me uma certa ideia de gozo, de caricatura, de não se levar muito a sério, e achei que isso resultava mais de uma certa intenção programática, que apesar de tudo é visível e explícita, do que do próprio desenvolvimento narrativo do filme.

Em complemento do filme português, foi apresentado Exorcist – The Beginning, e, francamente, se não fosse ter ido ao cinema principalmente para ver a curta-metragem, e o facto de por ser segunda-feira o bilhete ser mais barato, tinha-me arrependido seriamente. Como já disse, não sou apreciador do cinema de terror, mas precisamente O Exorcista é das poucas concessões que faço ao género: por ser um filme que marcou o meu percurso de espectador de cinema, nomeadamente por causa de uma certa aura mítica que o filme ganhou aquando da estreia, e também porque, quando o revi mais recentemente, achei que o filme tinha resistido muito bem, e mantido um certo aspecto de gozo, de jogo, uma certa frescura narrativa, digamos, apesar de ser um filme anterior à reformulação das regras deste género cinematográfico que se operou, sobretudo no cinema norte-americano, a partir de inícios da década de oitenta.
Bom, isto para dizer que esta pre-quela é absolutamente inenarrável, de uma cupidez entediante, uma total ausência de ideias, muito previsível, mas não é previsível de saber o que vai acontecer a seguir, mas mais de saber como é que tudo vai acontecer, os pequenos truques narrativos, as referências, a iconografia, a psicologia caricatural das personagens, a total ausência de medo, pelos deuses, um filme de terror que não ensaie o medo é uma contradição absoluta, um tipo vai ver um filme de terror para brincar com o medo, para irritar aquela parte das nossas emoções que têm a ver com o medo e o irracional. Enfim, tudo de uma pobreza confrangedora e até um pouco embaraçosa. Caso para dizer que depois dos dreams, foi mais tipo I'll See You in my Nightmares...