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rosas
innersmile
Para mim, o mais intrigante mistério de O Código Da Vinci, de Dan Brown, é a razão porque não consigo parar de o ler. Passei o fim de semana agarrado ao livro, e como leio muito devagar ainda vou para aí a meio, ou pouco mais. O que quer dizer que vou passar esta semana a dormir pouco e a não fazer outra coisa que não seja ler o livro.
Que, convenhamos, nem é assim tão bom. Quer dizer, não é uma grande obra literária (quer dizer, é uma obra grande, mas não é literária), o esquema narrativo (o tal mistério que nos mantém agarrados) é simples e óbvio, os tão propagados segredos e revelações não me comovem (para quem não acredita muito em Deus, e ainda menos na religião, não faz grande diferença saber se o que prevalece é esta ou outra mentira qualquer). Então, porque raio é que não consigo parar de ler o livro? Caramba, tenho tantos livros i-m-p-o-r-t-a-n-t-e-s para ler, e não consigo parar de ler este best-seller... Que, de resto, recomendo a toda a gente. É, digo eu, muito divertido. E, como diz o Washington Post, ‘unputdownable’.

Edit: esqueci-me, com a pressa, de dizer que um dos pontos fracos do livro, na minha opinião, é a falta de espessura psicológica das personagens, o que num thriller é um bocado imperdoável. Com efeito, as personagens são pouco credíveis, pouco verosímeis, parecem-se demasiado com caricaturas. Talvez isto se deva, em parte, ao facto de a trama ser muito elaborada, mas a verdade é que nós nunca chegamos a 'aderir' àquelas personagens, nunca acreditamos muito nelas, ficamos sempre um pouco insensíveis ao seu destino, de tal modo estamos absorvidos pelas peripécias do enredo.

Edit II: não tem importância nenhuma, mas é só para dizer que a primeira vez que vi O Código Da Vinci à venda, foi em Abril, na livraria El Ateneo, na Calle Santa Fe, em Buenos Aires. Até aí nem tinha ouvido falar no livro, mas fiquei curioso por causa do título (apesar da minha ignorância nestes assuntos de religiões e teorias da conspiração) e da pilha de exemplares em lugar de destaque logo na frente da livraria.
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marinheiro crivado de sardas
rosas
innersmile
Resposta (roubada) a questão levantada numa entrada já antiga do Opiário.

«Não acredito nos escritores, mas sim nas histórias deles, é o que respondo a um marinheiro crivado de sardas que me pergunta se acredito em Deus.»

A frase é de ERRI DE LUCA, e foi respigada no livro 'Três Cavalos', editado pela Ambar, e que é um dos livros mais surpreendentes que eu li este ano.