?

Log in

No account? Create an account

collateral
rosas
innersmile
O Michael Mann faz filmes de indústria, mas a verdade é que os consegue fazer 'with an edge', consegue sempre agarrá-los de maneira diferente, dar-lhes uma perspectiva mais pessoal, menos banal, e isso torna-os mais interessantes.
É isso que também acontece em Collateral, um thriller psicológico que conta a história de um assassino profissional que recruta à força um motorista de táxi para o acompanhar numa noite de trabalho particularmente cheia. Na minha opinião, o que dá mais interesse ao filme é, por um lado, a personagem de Max, o táxista, pelo menos no tom que lhe dá o Jamie Foxx: um tipo pacato, mais ou menos conformado com a sua vida, com os sonhos adiados, que tem a cabeça arrumada, mas que pressentimos está sempre a um passo de ser capaz de passar à acção. O outro interesse do filme é o outro protagonista principal: a noite de Los Angeles, pelo menos da maneira como Mann a filma, quase como um cenário a arder, como uma viagem de montanha russa naquele momento em que o carrinho pára por breves instantes no ponto mais alto, um cenário de filmes a fazer de cenário de um filme, um feerismo de luzes que é olhado do lado de dentro de um sonho: não ninguém que não se sinta suspenso no momento em que no caminho dos dois protagonistas humanos (estou a descontar a cidade) se cruza o olhar incendiado de um coiote. E é este dicotomia entre o perfil psicológico de Max, um homem à procura do seu paraíso, e uma cidade que parece um inferno suspenso e belo, que dá o tom ao filme, um tom de serena exaltação, de descoberta de uma certa beleza particularmente viva nos planos em que a cidade, e o táxi, são filmados de cima.
Qaunto aos actores, Tom Cruise parece não estar muito à vontade neste seu papel de vilão, talvez porque a característica principal de Cruise enquanto actor, uma enorme e inabalável determinação, resulta sempre melhor quando posta ao serviço do bem. Não admira por isso que seja quase sempre Jamie Foxx a roubar o protagonismo do filme. Destaque ainda para as presenças de Javier Bardem, rápida mas notável, e de Mark Ruffalo que deve ser o actor mais carismático do cinema americano, um tipo que exala energia e credibilidade, mas que não tem, na minha opinião, encontrado os papeis mais à altura do seu potencial.
Tags: