October 14th, 2004

rosas

mehldau mais sassetti

Alguém me devia mandar interditar por habitual prodigalidade. Há duas semanas fui a uma Fnac, no Porto, e gastei tanto dinheiro que devia ser considerado crime. Ou então haver uma daquelas cenas como há nos casinos em que o pessoal pode pedir para não nos deixarem lá entrar.
Bom, nessa surtida despesista, porém proveitosa, comprei dvds (os 4 que saíram agora do Sr. Tati, recheadinhos de extras que na sua maioria são curtas realizadas pelo Mestre), livros (3: um deles de um ilustre colega livejournaliano e os outros dois de e sobre literatura moçambicana) e cds: 3 também, sendo que um deles é a banda sonora do filme De-Lovely, uma biopic sobre Cole Porter, que é um dos meus ídolos na música popular.
Os outros dois são discos de piano solo, de Brad Mehldau, Live in Tokyo, e o mais recente de Bernardo Sassetti, Indigo. Dois discos lindíssimos, cada um no seu estilo, ou talvez seja melhor dizer cada um no seu tipo de jazz, já que o jazz é uma linguagem com inúmeros dialectos.
O disco de Mehldau é de certa forma uma obra esperada, depois das suas gravações ao vivo com o trio habitual, e mostra um Mehldau em grande forma, a tocar alguns standards (Monk, Porter, Gershwin), o já habitual número Radiohead (uma versão de 19 minutos e tal de Paranoid Android, que já aparecia no mais recente disco de estúdio) e duas composições de Nick Drake que são a surpresa do disco. Tudo naquele piano bem energético de Mehldau, que alterna momentos mais batidos e sincopados com outras sequências mais calmas e melodiosas.
Quanto ao disco de Sassetti, na verdade são dois. Além do disco Indigo, é ainda oferecido o disco Livre, tal como outro gravado em Belgais, mas numa sessão anterior. Mas é Indigo a peça de resistência deste trabalho (cuja faixa título abre e fecha o alinhamento), um disco muito lírico, romântico, em que ao lado de alguns standards (entre os dois discos, há três composições de T. Monk), se destacam as composições do próprio Sassetti (destaco a faixa 8, um Prelúdio, por ser a minha preferida).
O Brad Mehldau é um dos meus pianistas favoritos, é dos músicos de jazz de quem tenho mais discos. E o Bernardo Sassetti também entrou definitivamente para esse grupo. Aliás, acho que ele já devia fazer uma digressãozinha para promover o disco, com passagem por Coimbra é claro.