October 13th, 2004

rosas

conto: couraça de lisboa

COURAÇA DE LISBOA

As tuas janelas são muralhas, e é nelas que eu me reflicto enquanto fumo cigarros, encostado de encontro ao muro. Do teu posto de vigia vê-se um rio, vêem-se as verdes margens, campos que correm para o mar. Vêem-se as pontes, onde eu me ardo quando regresso, num verão ou noutro, para tu me veres da tua janela.
- Tu és o meu senhor.
- E tu, és rainha e criada, santa e ceifeira dos meus mais obscuros milagres.