October 7th, 2004

rosas

anita na quinta

Tenho de confessar que, pelo menos nestes primeiros dias, me estou a divertir com a Quinta das Celebridades. Provavelmente canso-me daqui a uns dias, quando a ilusão de novidade e espontaneidade se dissipar e resultar mais evidente a manipulação e a intecionalidade daquelas imagens.
Mas por enquanto divirto-me. E divirto-me sobretudo, como suponho ser o caso da maior parte das pessoas que vão vendo, com o Castelo Branco. Não vou analisar a personagem; não tenho paciência, e além disso seria levá-la a sério, o que é mais do que ela merece. Mas tenho de dizer que acho divertidíssima a forma como ele cultiva a pose, as blagues, os gestos, as bocas, as toiletes, os acessórios. Há ali uma mistura de candura e má vida que é verdadeiramente deliciosa.
Além disso, acho que a presença dos excessos do Castelo Branco diariamente nos ecrãs da pátria católica apostólica romana, pode ter o efeito benéfico de chocar as pessoas e de as sensibilizar para a existência da diferença, e de como a diferença é apenas uma outra maneira de ser igual. Bem sei que, aparentemente, se pode pensar que aquela bichice toda pode carregar ainda mais os preconceitos estereótipados das pessoas em relação aos gays (sim, porque apesar de ele afirmar que não é gay, estamos todos a pensar no mesmo, ou seja, no Castelo Branco como epítome de um determinado tipo de homossexuais efeminados, vulgo os maricas). Mas penso que isso apenas acontecerá num grupo relativamente pequeno de pessoas, aquelas que têm mais enraizado um forte sentimento de homofobia, e que já detestam (ou temem, o que vai dar ao mesmo) os homossexuais. Mas, não sei bem porquê, estou convencido de que para a grande maioria das pessoas vai ser divertido; mal passe o choque inicial, quando elas aprenderem a divertir-se com os tiques da personagem, vão aprender a olhar com mais benevolência aquele tipo de pessoas, vão aprender a conviver melhor com elas, com essa maneira de se ser igual de maneira diferente.