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(no subject)
rosas
innersmile
O dia está a saltar de uma folha do calendário para a próxima. «The years to come seemed waste of breath/ A waste of breath the years behind», como no poema do Yeats.
Dali do canto da sala, chegam os sons dos jardins onde me sinto seguro.

Que horas são? Estou à espera. Não me consigo ir deitar sem saber alguma coisa. É uma intervenção muito simples, limpar a catarata, mas tudo correu fora do meu controlo, e estamos já (todos) na fase em que ficamos muito mais descansados quando sou eu a tomar conta das coisas. E agora, ele está lá longe, num sítio que eu não conheço, a muitas dezenas de quilómetros da (nossa) casa, e por isso não consigo imaginar, e imaginá-lo lá. A ser operado a esta hora inóspita. Porque eu me desinteressei e o deixei fazer as coisas ao contrário do que deviam ter sido feitas.

Mas penso também que, a esta hora, numa casa qualquer numa cidade ainda mais distante, há uma amiga que vai cantar, e há outros amigos que vão lá estar para a ouvir. Tenho saudades de a ouvir cantar, porque a sua voz é quente e macia como um abraço.

Ainda espero que o telefone toque, porque as nossas vidas são sempre imitações muito beras das canções mais xaroposas.

Quando torno a olhar, o dia já segue, impante e ligeiro, na folha nova do calendário. «A lonely impulse of delight/ Drove to this tumult in the clouds».