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procuro novo dono
rosas
innersmile
Uma tentação muito grande em transformar este livejournal num pasquim contra o governo. Mas a verdade é que só me apetece escrever aqui a denunciar, a criticar e a dizer mal deste governo. Todos os dias há novidades, todos os dias há coisas que enojam, todos os dias se desce mais baixo, todos os dias se leva mais longe a baixaria e a safadeza.
Ontem foi a história da nomeação da Celeste Cardona para a administração da Caixa Geral de Depósitos. Como é possível! A passagem pelo governo é realmente cada vez mais uma forma de as pessoas se orientarem: orientam-se enquanto estão no governam, e aproveitam para orientar a sua vida para quando dele saem. A CC não é reconhecido, nem sequer conhecido, currículo que a habilite a ser administradora da maior instituição bancária nacional. O ministro das finanças acaba de sair de uma crise na direcção da CGD, demitindo os dois presidentes anteriores e nomeando um novo, e o melhor sinal que pode dar de que as coisas mudaram, é nomear uma sua colega partidária e até há dois meses colega no governo.
Entretanto, corre aí pelos blogs outra notícia que não se percebe porque é que não chega aos jornais e aos noticiários da televisão. A de que o mesmo ministro das finanças propôs-se, quando era ministro da segurança social, alterar a lei das reformas no sentido de limitar os requisitos necessários para pedir a aposentação, nomeadamente no tocante à idade, estabelecendo os 65 anos como a idade mínima para uma pessoa se poder reformar com a pensão por inteiro; ora a notícia é que o ministro se aposentou, em Julho passado, com a idade de 56 anos! Ou seja, o ministro que faz a lei corre a salvaguardar-se dela antes de a publicar!
Isto para já não falar na sensação de desgoverno diário. O primeiro-ministro cada vez que vê um microfone agarrado a uma câmara de televisão desata a falar, e fala sem saber do que está a falar. Conclusão, num dia fecha a refinaria, no dia seguinte mantém-se em funcionamento; num dia aumentas as taxas moderadoras, no outro dia não. Ontem ouvi o ministro da saúde dizer que vão aumentar de certeza mas ainda não se sabe é como! Isto é possível? O governo anuncia medidas que ainda não faz a mínima ideia de como poderão ser implementadas? Coordenação é outra coisa que o governo não tem: o episódio Barreto vs. Guedes assim o demonstrou.
E claro nem vale a pena chover no molhado e falar na história do concurso de colocação dos professores, e das inúmeras dúvidas que toda essa história suscita. A ministra anunciou uma data e estamos todos expectantes a ver o que acontecerá nessa data. Mas claro as dúvidas mantêm-se, e as especulações e as opiniões e os palpites dominam. Quando o governo não pode ou não quer ou não é capaz de contar o que de facto aconteceu, todos têm direito às suas verdades.
Ah, outra santanice. Foi a semana passada anunciado que o Casino de Lisboa afinal vai para um pavilhão qualquer da expo. Não sei, mas já nos esquecemos todos que a possibilidade legal de haver um casino em Lisboa foi criada (sim, mudou-se a lei de propósito para o efeito) com o fim exclusivo de compensar a empresa ou o consórcio responsável pela recuperação urbana da zona do parque Mayer? E que ficamos? O parque Mayer já foi à vida, agora que está salvaguardado o interesse do grupo económico que tem o licenciamento do casino?

que olhar?
rosas
innersmile
Morreu há poucos dias o fotógrafo Eddie Adams, que ficou célebre por causa de uma fotografia que lhe valeu um prémio Pulitzer, em 1969. É uma fotografia muito conhecida, em que se vê um general sul-vietnamita a executar, com um tiro na cabeça, um guerrilheiro vietcong.
Eu não conhecia o nome do fotógrafo mas quando ouvi na rádio a notícia visualizei logo a fotografia. Mas foi mais tarde, a olhar para ela, que me ocorreu uma questão: como é que eu hei-de valorizar esta fotografia, confrontando-a com as imagens de horror que todas as quotidianas noites me entram pela casa dentro na rotina dos telejornais? Como valorizar essa fotografia, quando confrontada com as imagens de um grupo de terroristas mascarados que se preparam para degolar um homem ajoelhado e de olhos vendados? Como valorizar essa fotografia, quando confrontada com a imagem do olhar acossado de um menino de dez anos cujo rosto está a menos de cinquenta centímetros de uma bota militar que pisa uma bomba?
A verdade é que o meu olhar se prostituiu, habituou-se a tudo, olha com indiferença o horror enquanto a mão leva mais uma colher de sopa à boca. Qual é então a diferença entre essas imagens que o meu olhar prostituto olha com gasta secura, e essa fotografia premiada que esse meu olhar erige como símbolo de tudo o que na vida é insuportável absurdo?