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rosas
innersmile
Houve um mundo, que foi a preto e branco. Houve um mundo, que durou perto de cem anos, que foi um mundo de rosto muito humano. Um mundo solitário ou gregário, forte ou frágil, descampado ou apressado, contemplativo ou urbano, mas sempre de rosto humano. Houve um mundo, que foi a preto e branco, e que sempre nos ajudou a olhar para outro mundo, «a realidade agora a cores». Houve um mundo que há-de ficar para sempre numa espécie de desequilíbrio instável, uma passada suspensa no ar, o corpo sexuado dos homens e das mulheres que foram emprestando o rosto humano ao rosto humano desse mundo. Houve um mundo que não se satura, apesar de conter todas as imagens que um século viu sempre que se olhou ao espelho. Houve um mundo que de forma elegante, nos abriu os olhos e nos ensinou a ver. Houve um mundo, que foi a preto e branco, e que nos mostrou a ver. Como se isso fosse sempre a única promessa do devir. Registado numa fotografia.
Houve um mundo, que foi a preto e branco, e que foi de Henri Cartier-Bresson.