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coffee and cigarettes
rosas
innersmile
O que mais fascina em Coffee and Cigarettes, o filme de Jim Jarmusch em exibição, é como, sob a aparente facilidade de um divertimento, desfilam perante os nossos olhos alguns dos lugares onde a vida se mostra mais exuberante, que o cinema tem mostrado recentemente. Os diversos episódios têm mais a juntá-los, do que o mero pretexto do café e dos cigarros. Há referências, há temas que se repetem com a cadência de uma peça musical, há o jogo de escondidas de cada personagem ser uma projecção do actor que lhe dá corpo, há o humor, por vezes desconcertante, por vezes comovente, por vezes revelador. Um daqueles filmes que apetece rever e rever, à procura de todos os sinais, das piscadelas de olho, das brincadeiras. Mas, como disse, o filme não se esgota no aspecto lúdico: é um filme sobre as coisas essenciais, sobre tudo o que realmente acontece de importante quando duas pessoas se sentam à mesma mesa para beber um café e fumar um cigarro.
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ninguém meu amor
rosas
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Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos.


- Sebastião Alba



Os meus pais fazem hoje anos de casados. Cinquenta.