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(no subject)
rosas
innersmile
PEQUENO POEMA FORA DE HORAS

Que cidade te espreita
para lá da baía
Onde as ruas infinitas
a que espelho da memória
te recolhes, se apenas
com palavras vestes
a sua ausência
um vislumbre
A música que escutas
de onde a trazes
para onde te leva

Restam-te algumas palavras
que alinhas dia a dia
sobre o poema
sobre a paisagem que devagar
desaparece
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mil e uma noites
rosas
innersmile
O Sultão Shahryar, convencido da infidelidade de todas as mulheres, mandava matar as suas esposas após a primeira noite de casamento. Sabendo disto, e lutando pela sua sobrevivência, Scheherazade começa a contar-lhe histórias de encantar, suspendendo sempre numa parte emocionante, e de forma a deixar sempre o Sultão na expectativa da continuação da história. Assim, dia após dia, Scheherazade vai adiando a sua execução, até o Sultão abandonar a ideia de a matar.

Rimsky-Korsakov compôs uma suite sinfónica em que os seus quatro andamentos vão contando a história e as estórias de Scheherazade. O Mar e a Nau de Sindbad. A história do Príncipe Kalender. O Jovem Príncipe e a Jovem Princesa. O Festival de Baghdad - O Mar - A Nau desfaz-se numa Rocha com a forma de um Guerreiro de Bronze.

Ontem, no TAGV, encerramento do XII Festival Internacional de Música de Coimbra, com a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo Maestro Yu Feng. Scheherazade, de Rimsky-Korsakov, encerrou o programa. Antes, duas estreias absolutas: România - Paisagens Subterrâneas, de Cândido Lima; e uma encomenda do Festival a António Pinho Vargas, "...von fremden lander...", para piano solo, tocado por Anne Kaasa, e orquestra.
Gostei muito da peça do Pinho Vargas, que tem o tom outonal que ele sempre imprime à sua música, nomeadamente à que ele fazia quando era músico de jazz. A peça de Cândido Lima soa um pouco como se intitula, subterrânea, e eu tenho de confessar que há determinado tipo de música que me custa a perceber. Falta de ouvido, concerteza. E naturalmente adorei a Scheherazade, que é uma das minhas obras preferidas. Não só porque é muito bonita, com temas orientais muito bonitos, com um envolvimento muito grande dos diferentes sectores da orquestra, dialogando e balanceando muito bem as passagens colectivas com as partes mais individuais; mas sobretudo porque é daquelas obras que tem uma capacidade narrativa imensa, começamos a ouvi-la e a nossa imaginação começa logo a inventar histórias para aquela banda sonora perfeita. Mesmo quando não conhecemos muito bem as histórias das Mil e Uma Noites. Ou principalmente quando não as conhecemos bem, porque aí ficamos mais libertos para inventar as nossas próprias histórias.
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