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(no subject)
rosas
innersmile
É possível amarmos um filme que vimos há mais de vinte e cinco anos, e tudo o que guardamos dele são ideias muito vagas de fotogramas dispersos e isolados? É possível amarmos um filme (ou um objecto, ou uma pessoa) através de uma memória, ou seja, amarmos não o filme (ou o objecto ou a pessoa) em si, mas a memória que dele guardamos? Não é sempre assim que continuamos a amar os filmes que vimos (ou os objectos que perdemos ou os amantes que partiram) há mais de vinte e cinco anos?
Comprei hoje o dvd de ‘O Amigo Americano’, um filme de Wim Wenders, baseado no romance Ripley’s Game da Patricia Highsmith. Há muito tempo que eu perseguia este filme. Sobretudo, para tentar perceber as razões de um fascínio.

Entrei hoje de férias. E como sempre que entro de férias, sobretudo quando não tenho planos para sair de Coimbra, sinto a desconfortável impressão de que estou em face de um vazio.
Tenho planos para estas duas semanas de férias:
1º: matricular-me numa universidade para tirar um curso;
2º: enviar duas encomendas postais para dois queridíssimos amigos;
3º: perseguir dois contactos, para tentar não perder da mão uma ilusão.

Para tentar disfarçar a aridez dos dias que se aproximam, fui à livraria e comprei três livros: Paris, Os Passeios de um Flâneur, do Edmund White; Florença, Um Caso Delicado, do David Leavitt; e Crónicas de Bons Costumes, de Guilherme de Melo. Três escritores homossexuais. O livro do Guilherme de Melo é de contos, e os outros dois são ensaios sobre cidades que os respectivos autores, ambos americanos, conhecem bem por terem lá vivido durante muitos anos. Inauguram uma colecção da Asa, O Escritor e A Cidade. Edições de pequeno formato, capas duras, sobrecapas bonitas. Livros que apetece trazer na algibeira.

Finalmente, o Sábado chegou. E agora que o tenho aqui entre as mãos, nem sei o que fazer dele.
Aceitam-se convites para passeios a pé pós-prandiais.