June 27th, 2004

rosas

rappaport

Em dois dias seguidos, duas peças de teatro em Coimbra, e por duas companhias profissionais da terra.
A Bonifrates leva à cena no seu espaço da Casa da Cultura, ‘Eu Não Sou O Rappaport’, do nova-iorquino Herb Gardner, que nos traz a desenvoltura, a vivacidade, o desenho de personagens e sobretudo a riqueza de diálogos, que marcam tão distintamente o teatro anglo-saxónico. A peça centra-se na figura de dois velhos que se encontram num parque, e, de uma forma divertida, passam em revista os principais dramas de se ser velho nas nossas sociedades. Mas sobretudo o que cativa nesta peça é a personagem de Nat, um velho comunista que tem uma capacidade enorme de fantasiar, e que quando começa a falar nunca sabemos se está a contar uma história se a inventá-la. É, como se diz no programa, uma personagem com uns toques de Dom Quixote, e a interpretação de Victor Torres dá-lhe o tom exacto de convicção e verosimilhança.
Foi apenas a segunda produção da Bonifrates que eu vi, mas parece-me que esta companhia desenvolve um trabalho que pretende aliar um certo rigor na escolha dos textos com uma inegável vontade de público, e pode muito bem ser aquilo que Coimbra terá de mais próximo de um teatro comercial. Não deixa de ser compensador para o público que gosta de teatro poder assistir em dias consecutivos a um teatro de maior pendor de ensaio e pesquisa, como é o da Escola da Noite, e no dia seguinte a um teatro que acentua mais o lado de entretenimento, em ambos os casos servido com qualidade, bom gosto e seriedade.