June 25th, 2004

rosas

futeboys

Primeiro as coisas importantes: o jogo de ontem entre Portugal e a Inglaterra reconcilia-nos a todos com o futebol, com a selecção e com o Scolari. Foram 120 minutos infernais, em que a sorte protegeu realmente os audazes: a selecção portuguesa foi a que jogou mais, a que se bateu com mais determinação, a que controlou mais o jogo, e por isso foi uma felicidade que a resolução sempre um pouco arbitrária dos penaltis tivesse premiado a melhor equipa. Ao Scolari as coisas também têm corrido muito bem, até o Ricardo ter sido o herói do jogo, para fazer esquecer o 'caso Baía'. O golo do Rui Costa foi lindíssimo, mas, agora que penso nisso, alguns dos golos mais bonitos que eu já vi foram marcados por ele.
Agora as lantejoulas. Não é curioso que a santa do Scolari seja a Nossa Senhora de Caravaggio, sabendo-se que Caravaggio é o pintor ícone dos gays, tendo sido ele próprio homossexual? Muita pena do Rooney, que faz lembrar aqueles rapazes do ciclo por quem estávamos apaixonados mas que nos batiam por não sabermos jogar à bola. Aqueles segundinhos em que ele andou descalço aos pontapés à bola podem lhe ter custado caro, mas foram lindos. E eu que nem sou nada 'feetichista'. Quanto ao nosso Cristiano (o nome é tão sexy como ele próprio) eu por mim fazia-lhe uma estátua. Quer dizer: eu fazia a estátua. E ele teria necessariamente de posar durante uns meses valentes aqui no meu quar... atelier. O Becks e o Figo podem ser anjos caídos, mas são anjos à mesma. O Figo de trombas fica ainda mais bonito, como aqueles rapazes que ficam mais giros quando fazem cara de maus. O Becks, por seu lado, fica muito giro quando está triste, apetece ir lá passar-lhe a mão pelo pêlo e dizer 'pronto, já passou, o papá está aqui e não te deixa falhar mais penaltis'. E quando está de joelhos no chão, em posição, então fica mesmo adorável.

Hoje meti um dia de férias e não fui trabalhar. A ideia era ir informar-me acerca da possibilidade de inscrever-me numa universidade e tirar um curso. Se a ideia for avante e eu me matricular, desta vez quero ser pranchado. Pois.
Há assim dois ou três dias no ano em que eu não trabalho num dia útil, normal, e ando aí pela cidade, pelos sítios por onde anda o resto do pessoal. E é inacreditável a quantidade de gente, nomeadamente minha conhecida, que anda a passear por aí, pelas esplanadas, pelos centros comerciais. Sou eu o único que trabalho?! Ou aproveitaram todos para meter hoje um dia de férias?

Comprei o último número da revista Time, que destaca (com capa) o lançamento da autobiografia do Bill Clinton. Artigo sobre o livro e entrevista. O Clinton é um grande estadista, o maior do nosso tempo, desta nova ordem que emergiu do fim da guerra fria. E como todos os grandes estadistas, partilha todas as nossas fraquezas e misérias, mas eleva-se acima de nós nas suas grandezas. Ao contrário, infelizmente, da maioria dos políticos actuais, que são iguais a todos nós nas suas qualidades e grandezas, mas muito piores que nós nas suas misérias e defeitos.