June 21st, 2004

rosas

in the name of love

Vi esta citação num artigo sobre as literaturas de Gore Vidal e David Leavitt (seguindo um link no opiario, que tem uma entrada fabulosa sobre o livro de Leavitt, 'The Lost Language of Cranes'), e gostei da forma clara como está enunciada. Segundo ela, diz João Silvério Trevisan no seu livro Devassos no Paraíso: "não creio que 99% das pessoas que se sentem como homossexuais poderiam dizer que fizeram uma opção. Ao contrário, sentiram-se levadas a uma tendência interior. Eventualmente, elas tiveram sim que assumir sua homossexualidade no nível social, mas o rumo para onde apontava o seu desejo – alguém do mesmo sexo – já estava forçando essa escolha. Ou seja, tais pessoas fazem a opção de ser socialmente homossexuais, não de desejarem homossexualmente".
Acho que fica muito claro que a opção não se refere à sexualidade (ao desejo, à pulsão), mas à forma como a sexualidade é vivida: de uma forma assumida ou reprimida, no secretismo do armário ou deixando-a reflectir-se no círculo social (familiar, profissional, etc.) .
Julgo que fica igualmente claro que o orgulho gay não se refere à sexualidade (faz tanto sentido uma pessoa orgulhar-se de ser homossexual como outra orgulhar-se da sua heterossexualidade), mas precisamente à forma como optamos por vivê-la: sem medo, sem preconceito, sem vergonha.
Este mês de Junho é o mês do orgulho gay, e as festas e os desfiles, um pouco por todo o mundo, já começaram. As celebrações em Lisboa são a 26 de Junho, no próximo Sábado, com desfile e arraial. Para os interessados, há um site, o portugalpride, que tem o programa das festas.
Ainda não é desta que eu vou. É que se não tenho grandes dúvidas acerca da minha sexualidade, já não sou tão seguro acerca do modo como a posso (ou quero, ou consigo, ou devo) viver socialmente. Durante algum tempo, isto fazia-me alguma confusão, achava que era um caso de cobardia pura e simples; quer dizer ainda acho, mas também acho que só devemos fazer as coisas quando estamos à-vontade para as fazer, quando isso nos é confortável. Bom, pelo menos comigo é assim, só faço alguma coisa quando sinto que estou preparado para a fazer, quando ‘ouço’ cá dentro que a posso ou devo fazer. E, para falar com franqueza, ainda não sinto que seja a hora de descer a avenida agarrado a uma bandeira do arco-íris e com uma t-shit a dizer ‘ninguém sabe que eu sou gay’.