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notícias de pequenópolis x
rosas
innersmile
No pequeno jardim zoológico de Pequenópolis, as zebras são pretas ou brancas.

in the name of love
rosas
innersmile
Vi esta citação num artigo sobre as literaturas de Gore Vidal e David Leavitt (seguindo um link no opiario, que tem uma entrada fabulosa sobre o livro de Leavitt, 'The Lost Language of Cranes'), e gostei da forma clara como está enunciada. Segundo ela, diz João Silvério Trevisan no seu livro Devassos no Paraíso: "não creio que 99% das pessoas que se sentem como homossexuais poderiam dizer que fizeram uma opção. Ao contrário, sentiram-se levadas a uma tendência interior. Eventualmente, elas tiveram sim que assumir sua homossexualidade no nível social, mas o rumo para onde apontava o seu desejo – alguém do mesmo sexo – já estava forçando essa escolha. Ou seja, tais pessoas fazem a opção de ser socialmente homossexuais, não de desejarem homossexualmente".
Acho que fica muito claro que a opção não se refere à sexualidade (ao desejo, à pulsão), mas à forma como a sexualidade é vivida: de uma forma assumida ou reprimida, no secretismo do armário ou deixando-a reflectir-se no círculo social (familiar, profissional, etc.) .
Julgo que fica igualmente claro que o orgulho gay não se refere à sexualidade (faz tanto sentido uma pessoa orgulhar-se de ser homossexual como outra orgulhar-se da sua heterossexualidade), mas precisamente à forma como optamos por vivê-la: sem medo, sem preconceito, sem vergonha.
Este mês de Junho é o mês do orgulho gay, e as festas e os desfiles, um pouco por todo o mundo, já começaram. As celebrações em Lisboa são a 26 de Junho, no próximo Sábado, com desfile e arraial. Para os interessados, há um site, o portugalpride, que tem o programa das festas.
Ainda não é desta que eu vou. É que se não tenho grandes dúvidas acerca da minha sexualidade, já não sou tão seguro acerca do modo como a posso (ou quero, ou consigo, ou devo) viver socialmente. Durante algum tempo, isto fazia-me alguma confusão, achava que era um caso de cobardia pura e simples; quer dizer ainda acho, mas também acho que só devemos fazer as coisas quando estamos à-vontade para as fazer, quando isso nos é confortável. Bom, pelo menos comigo é assim, só faço alguma coisa quando sinto que estou preparado para a fazer, quando ‘ouço’ cá dentro que a posso ou devo fazer. E, para falar com franqueza, ainda não sinto que seja a hora de descer a avenida agarrado a uma bandeira do arco-íris e com uma t-shit a dizer ‘ninguém sabe que eu sou gay’.