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certa ou errada
rosas
innersmile
A crónica de Ferreira Fernandes, na revista Sábado de ontem, reconciliou-me com as bandeiras, e com esta febre de patriotismo futebolístico. É uma das coisas que eu gosto, o tom benevolente, humorado e simpático, com que o FF fala de nós, das nossas fraquezas e misérias, assim como das nossas pequenas glórias. Gosto da forma como o FF fala das pátrias como sendo ‘somatórios comuns que identificam’. Gosto da forma como ele recebe na pátria todos aqueles que chegaram há pouco, ou ainda estão a chegar, os que, como ele escreve, são portugueses mas ‘cujos antepassados não o eram há uma geração’. Gosto de um conceito de pátria que nos una nos erros, ainda que sejam os prosaicos erros do treinador da selecção. Gosto de um conceito de pátria que aceita que ela possa estar errada e, nesse caso, como no exemplo comovente de Marlene Dietrich, que sendo alemã passou a Segunda Grande Guerra a cantar para as tropas aliadas, ser patriota é estar contra a pátria. Gosto da forma como o FF fala da nossa bandeira, de como podemos aprender a amá-la sem tomar por referente as glórias e os mortos do passado, mas antes os pequenos gestos do quotidiano que andámos a espalhar, e a perder, pelo mundo. Gosto de o FF ter escrito na crónica que a nossa bandeira é a única no mundo (será?) que tem lá desenhado o mundo. O mundo que, e foi isso que eu li na crónica do FF, é nosso e é dos outros, e o mundo dos outros não é pior que o nosso. Veja-se, exemplifica ele, o Zidane.
Gostava que a selecção ganhasse o jogo de amanhã, é claro. Mas os únicos abraços que conto trocar amanhã, não vão depender dos golos, ou de quem os marcou. É isso, uma pátria de amigos.