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geografia
rosas
innersmile
O livejournal, em especial a página dos amigos, tem influenciado muito a minha geografia afectiva. Põe-me no mapa lugares e cidades de que nunca tinha ouvido falar. Torna familiares nomes que correspondem a paisagens que não conheço. Dá ao meu corpo a intimidade de ruas onde nunca caminhou. Dá desejos de lonjura à minha limitada cegueira.

Há umas semanas, comprei um livro de um poeta de que nunca tinha ouvido falar: Luís Amorim de Sousa. Trouxe o livro porque a biografia que habita o poeta percorre uma geografia que me diz muito: Moçambique, Brasil, Inglaterra, além de Portugal, claro. Trouxe-o também porque tinha um prefácio de Alberto de Lacerda, um dos poetas que tem lugar cativo à sombra dos palmares. Trouxe-o, por fim, porque o título do livro, 'Ultramarino', me impedia de não o trazer.

O livro tem estado aqui em cima da mesa à minha espera. Hoje foi o dia. Desfolho as páginas dando aos poemas oportunidade de me chamarem, de me prenderem. E de repente lá está, um desses nomes que, graças ao livejournal, entrou no tal mapa dos afectos. Sim, porque esse nome tem agora dois outros nomes: o teu e o teu. E, de alguma forma, li-o como se estivesse eu proprio, bebendo limonada, na sala de visitas da vossa casa.

O poema intitula-se RECORDANDO MURILO, e é assim:

uma rede vazia balança em Juiz de Fora

estampas azuis
e algumas amarelas
jazem espalhadas na esteira da varanda

alguém pede limonada
alguém pressente
o deslizar da alça dum vestido

na sala de visitas
uma pequena bússula anuncia
a chegada marítima da noite
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má fortuna
rosas
innersmile
Os erros passados devem servir apenas para tentar evitar repeti-los.
Mas não devem ser lastimados. Poucas coisas há mais fascinantes do que um erro passado. De um modo geral, são comoventes. E, muitas vezes, admiráveis as suas consequências.