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love is where it falls
rosas
innersmile
Quando estava ontem a escrever sobre o Angels in America, mencionei o Simon Callow, e lembrei-me do livro que ele escreveu, Love Is Where It Falls, em que relata a improvável relação de amor que manteve durante anos com Peggy Ramsay, a lendária agente teatral londrina (que tinha descoberto, nos anos sessenta, o Joe Orton). É um livro fascinante, escrito com amor e dedicação, mas sem sentimentalismo, que nos mostra a intimidade de uma relação entre, nas palavras do próprio autor, ‘uma mulher de 70 anos e um homem gay de 30, e que nunca se iria consumar fisicamente’. Não obstante, não foi uma relação de amizade, mas uma verdadeira relação de amor, intensa e apaixonada, pontuada por cartas de amor comoventes e por prendas (entre elas, um apartamento), mas também por crises de ciúmes (já que Callow, durante os anos que durou o affair, manteve uma relação com um namorado egípcio, o que provocava os ciúmes deste e de Peggy).
Callow foi o último amor de Peggy Ramsay que, ao correr dos 11 anos que durou a ligação, foi perdendo as faculdades mentais, num processo de senilização que acabaria por a conduzir à morte, em 1991. Se a escrita é escorreita e espirituosa, os trunfos do livro são, sem dúvida, a personalidade ‘larger than life’ da Peggy Ramsay e esse fascinante e improvável amor que sempre acontece onde e quando tem de acontecer. Aliás, há uma frase da Peggy no livro, em que ela diz qualquer coisa do género de que quando, na vida, estamos muito necessitados de alguma coisa, essa coisa normalmente vem ter conosco, e que, por isso, não vale a pena desesperarmos à procura do amor: quando estamos prontos, ele acontece-nos.
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